Agência Estado
Do Rio de Janeiro
A inflação de novembro foi de 2,53% segundo o Índice Geral de Preços de Disponibilidade Interna (IGP-DI) da Fundação Getúlio Vargas (FGV-RJ), divulgado ontem. Foi a segunda maior taxa do ano (a maior ocorreu em fevereiro, quando o IGP-DI chegou a 4,44%) e o ‘‘pico’’ da inflação no segundo semestre, segundo o chefe do Centro de Estudos de Preços da Fundação Getúlio Vargas (FGV-RJ), Paulo Sidney Melo Cota.
A taxa sofreu maior pressão de aumentos temporários – especialmente o dos produtos agrícolas, que variaram 6,70%, por influência da estiagem. Melo Cota acredita que os reajustes não devem se repetir em dezembro e o custo de vida cairá. O IGP-DI acumulado no ano está em 18,52%, e o economista prevê que, até dezembro, fique em 20%.
Segundo o economista, os artigos de educação, leitura e recreação deverão ser os que mais devem sofrer aumento no varejo neste mês. Mas o movimento deverá ser compensado pela queda do preço das roupas e dos remédios. ‘‘Este será o quarto ano em que o vestuário vai ter queda de preços em dezembro’’, afirmou o chefe do Centro de Estudo de Preços. O recuo é maior em São Paulo, menos afetado pelas novas coleções de verão, explicou.
Mas a tendência de queda da inflação pode ser prejudicada pelo aumento generalizado de 263 tarifas estaduais fluminenses, aprovado ontem pela Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), e previsto para entrar em vigor em janeiro. A medida vai afetar o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), o segundo mais importante na composição dos IGPs, afirmou Melo Cota.
O economista não calculou ainda qual seria o peso dos reajustes no IPC, que é baseado apenas na variação de preços do Rio de Janeiro e em São Paulo. Mas mostrou preocupação com o aumento do Imposto de Propriedade de Veículos Automotores (IPVA), de até 100%, e o reajuste do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) cobrado sobre os ônibus.
A cotação do dólar, outro indicador importante para a evolução da inflação, deve reduzir-se a partir de janeiro, afirmou Melo Cota. ‘‘Se o dólar continuar a tendência de queda, os índices vão cair mais rapidamente’’, previu. Ele acredita que se a cotação da moeda ficar entre R$ 1,75 e R$ 1,80, haverá uma queda de preço dos produtos industriais – que tiveram reajuste de 2,10% em novembro, segundo o IGP-DI. Em outubro, a alta foi de 2,15%. ‘‘Alguns produtos, como o minério de cobre, já estão caindo por causa do dólar’’, acrescentou.
A influência dos produtos agrícolas levou o Índice de Preços por Atacado (IPA), de maior peso nos IGPs, a variar 3,59% em outubro - taxa 1,01 ponto percentual acima do mês anterior. Mas no varejo, onde a alta do IPC foi de 1,12%, os reajustes dos alimentos já foram menores do que os registrados em outubro pela FGV-RJ. A variação média foi de 1,25%.

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