IGP-DI registra deflação de 0,67%
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terça-feira, 10 de junho de 2003
Irany Tereza<br> Agência Estado 
Rio de Janeiro - O resultado do Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI), divulgado ontem mostrou que houve também deflação no acompanhamento dos preços de 1 a 30 de maio: -0,67%, a exemplo do que já indicara o IGPM (-0,26%). Mas o cálculo feito pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) apontou um descolamento entre os preços ao consumidor e o núcleo da inflação. O IPC ficou em 0,69%, ante um resultado de 1,12% em abril. O núcleo alcançou 1,05%, uma leve redução em relação à variação de 1,20% de abril.
''Isso torna mais difícil a redução dos juros na próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária)'', avalia o economista Salomão Quadros, que coordena o cálculos dos IGPs na Fundação Getúlio Vargas.
O desencontro entre a inflação para o consumidor e o núcleo é explicado pelo fato de as quedas, no varejo, estarem sendo ainda muito pontuais. Alguns gêneros com forte peso na formação do Índice de Preços ao Consumidor tiveram expressivas reduções.
É o caso, por exemplo, do grupo hortaliças e legumes, que registrou deflação de 8,14%. Mas estes e outros produtos com variação muito brusca ficam de fora do cálculo do núcleo. O objetivo, na medição do núcleo, não é chegar a uma média ponderada para os preços, mas sim comprovar uma tendência. E o descolamento entre as taxas mostra, segundo Quadros, que ''a maioria dos produtos está subindo mais do que o que o IPC está mostrando''.
''Toda inflação que cai é uma boa notícia. A má notícia é que a queda está muito lenta'', comentou o economista. Dos 85 grupos que compõem o IPC, 60 entram no cálculo do núcleo. São excluídos os 20% dos produtos com maiores altas e os 20% com maiores baixas.
Nos preços no atacado, ao contrário, a queda está bastante pulverizada. O Índice de Preços por Atacado (IPA) teve deflação de 1,68%. Da mesma forma que o IGP-DI, esta foi a taxa mais baixa desde setembro de 1995. Mas a informação mais relevante foi que, dos 462 itens que compõem o índice, 199 tiveram queda, 159 aumentaram de preço e 104 ficaram estáveis.
Quadros destacou os produtos agrícolas como um dos principais responsáveis pela queda no atacado. ''Mas é possível que esta queda já esteja no ponto máximo e que em junho os preços agrícolas não venham a dar a mesma contribuição'', comentou. Ele citou, ainda, o efeito do desaquecimento da demanda na queda dos preços, dando como exemplo os eletrodomésticos, que caíram 2,68%. ''Em outra pesquisa, já havia sido detectada esta tendência: 40% do setor considerava que os estoques industriais estavam excessivos'', lembrou.


