IGP-DI registra deflação de 0,25%
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quarta-feira, 08 de junho de 2005
Alessandra Saraiva<BR>Agência Estado 
Rio de Janeiro - A inflação medida pelo Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI) despencou em maio e apresentou deflação de 0,25%, menos da metade da taxa apurada em abril (0,51%). Quedas intensas no atacado, de preços dos produtos agrícolas (-2,76%) e industriais (-0,38%), levaram ao resultado, o menor em 23 meses. ''No atacado, podemos falar que houve queda de preços generalizada'', disse o coordenador de Análises Econômicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Salomão Quadros.
Esse recuo fez com que o Índice de Preços por Atacado (IPA-DI) também atingisse o menor resultado em quase dois anos, com queda de 0,98% em maio, ante alta de 0,33% em abril. ''A queda dos agrícolas no atacado foi a mais intensa desde maio de 2003. Já os preços dos produtos industriais tiveram o menor resultado desde julho de 2003'', complementou Quadros.
O analista considerou que o setor agrícola está sendo beneficiado pela melhor oferta de alguns produtos importantes, como soja e trigo, que registraram quedas de preços respectivas de 5,56% e de 6,32%. Já o setor industrial foi influenciado pela valorização cambial, que tem reduzido preços em segmentos de peso, como combustíveis e aço. ''Os preços de ferro, aço e derivados no atacado registraram em maio queda de 0,63%, a menor taxa desde julho de 2003'', afirmou.
Para a analista da consultoria Tendências, Marcela Prada, a queda dos preços no atacado deve influenciar o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) nos próximos meses. ''Ou seja, a inflação ao consumidor deve recuar nos próximos resultados'', disse. Mas, no cenário de inflação em maio, os preços para o consumidor continuam em nível elevado. O núcleo da inflação do varejo, no qual são excluídas as principais quedas e altas de preços, subiu 0,73% em maio - o maior desde junho de 2003 -, ante 0,65% em abril. Quadros admitiu que, em maio, houve disseminação de altas de preços no varejo. ''A tendência é de que o núcleo venha a cair nos próximos meses'', disse.
Ele observou que o Índice de Preços ao Consumidor (IPC-DI) teve alta de 0,79%, ante 0,88% em abril. ''A desaceleração no IPC já começou e tudo indica que vai se intensificar'', disse, ressaltando que os preços no atacado estão em queda. Em maio, os recuos de preços em alimentação (de 1,22% para 1,01%) e transportes (de 1,39% para 0,31%) levaram à menor taxa do IPC-DI.
Já o Índice Nacional do Custo da Construção (INCC-DI) subiu para 2,09% - o maior resultado desde maio de 2003 -, ante 0,72% em abril. A causa principal foram os preços de mão-de-obra (4,14%). O IGP-DI tem alta de 1,99% no ano e de 8,36% em 12 meses.
A taxa acumulada de 12 meses até maio do IGP-DI, de 8,36%, pode ser o reajuste de telefonia fixa que será realizado em meados deste ano. ''Não estou querendo entrar no mérito se o IGP-DI será mesmo usado para o reajuste de telefonia fixa. Mas, se for, será essa taxa acumulada de maio que servirá como indexador'', lembrou Quadros.


