Rio de Janeiro - Pela quarta vez consecutiva, o Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI) encerrou o mês em deflação - caiu 0,79% em agosto, ante -0,40% em julho. Abaixo das estimativas do mercado financeiro, a taxa foi a mais baixa em quase 10 anos, puxada pela queda de preços no atacado, no varejo e na construção civil. Segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV), esse ciclo de deflação é o mais intenso dos últimos 40 anos no âmbito do IGP-DI - que é usado como indexador para reajustes na tarifa de telefone.
Até agosto, o IGP-DI acumula elevações de 0,32% no ano e de 2,71% em 12 meses. O indicador também pode fechar o ano ''em um dos patamares mais reduzidos de sua história'', segundo o coordenador de Análises Econômicas da FGV, Salomão Quadros.
Não foi descartada pelo economista a possibilidade de uma quinta deflação consecutiva em setembro. Segundo ele, os repasses das sucessivas quedas de preço no atacado estão se disseminando no varejo.
Essas quedas nos preços do atacado são influenciadas basicamente por valorização do real ante o dólar (que puxa para baixo os preços de produtos relacionados à moeda norte-americana), por melhor oferta de itens agrícolas e por reduções de preços em algumas commodities no mercado internacional. Ao mesmo tempo, continuam intensas as deflações em setores importantes no atacado, como o siderúrgico.
O núcleo da inflação do varejo, no IGP-DI, teve alta de 0,07% em agosto, ante aumento de 0,30% em julho - o menor nível desde novembro de 1998. O núcleo é calculado a partir da exclusão das principais quedas e das mais significativas altas de preço no varejo, e funciona como indicador de tendência da inflação.
No atacado, os preços caíram 1,04% em agosto, ante deflação de 0,69% em julho - o menor nível desde junho de 2003. Houve quedas de preço expressivas em produtos agrícolas (-2,47%) e industriais (-0,57%). No caso do setor industrial, os preços do segmento de ferro, aço e derivados caíram 2,22% em agosto, ante -2,13% em julho. Outro fator que derrubou os preços dos produtos industriais foi a deflação em combustíveis e lubrificantes (-0,45%).
No varejo, os preços caíram 0,44% em agosto, ante alta de 0,13% em julho - a taxa mais baixa em sete anos. Todos os sete grupos que compõem a inflação do varejo medida pela FGV apresentaram recuo de preços, de julho para agosto, com destaque para alimentação (de -0,64% para -1,57%). Na construção civil, os preços passaram de 0,11% para 0,02% de julho para agosto.

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