IGP-DI fecha em 0,23% e deve cair em abril
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 07 de abril de 1998
Agência Estado 
O forte calor em março - que provocou reajustes em vários produtos agrícolas - fez com que a inflação, medida pelo Índice Geral de Preços-Disponibilidade Interna (IGP-DI), subisse de 0,02% em fevereiro para 0,23% no mês passado. Em abril, porém, este índice deverá ficar bem próximo de zero, com possibilidade até mesmo de registrar deflação, ou seja, queda absoluta nos preços, segundo o chefe do Centro de Estudos de Preços da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Paulo Sidney Cota.
No ano, a projeção da FGV, responsável pelo IGP-DI, é de uma inflação em torno de 5%. Em São Paulo, pelos cálculos de Cota, a inflação para o consumidor foi de 0,11%, e no Rio, de 0,69%. Com isso, a inflação no varejo para os paulistas acumulou este ano apenas 0,93%. No Rio, a taxa acumulada chegou a 3,11%.
O Índice de Preços por Atacado (IPA), de abrangência nacional, que compõe o IGP com peso de 60%, passou de uma deflação de 0,15% em fevereiro para uma variação positiva de 0,13% em março. O calor excessivo, atípico no mês, afetou boa parte dos produtos agrícolas, que, no atacado, subiram 0,21% - em fevereiro, tinham variado 0,09%. Paulo Sidney Cota cita como exemplos de alta o tomate (41,40%), a couve (28,09%) e a cenoura (26,30%). Houve um segundo fator de pressão altista: as restrições à importação de laticínios da Argentina, impostas pelo governo há cerca de um mês. Como as importações foram dificultadas, os preços no Brasil tiveram liberdade para subir.
Nada menos do que quatro grupos mostraram deflação no varejo: vestuário (-2,58%), despesas diversas (-0,64%), educação, leitura e recreação (-0,25%) e transportes (-0,01%). A habitação variou somente 0,16%. O grupo saúde e cuidados pessoais teve variação de 0,14%. O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), com peso de 10%, ficou praticamnete estável ao registrar alta de 0,47%, percentual semelhante ao de fevereiro (0,48%).


