IGP-DI despenca para 0,48%
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quarta-feira, 06 de outubro de 2004
Alessandra Saraiva<br> Agência Estado 
Rio de Janeiro - A inflação medida pelo Índice Geral de Preços-Disponibilidade Interna (IGP-DI) recuou para 0,48% em setembro, menor taxa nos últimos 11 meses. Em agosto, o indicador havia ficado em 1,31%. ''Houve um movimento bastante generalizado de redução de preços'', explicou o coordenador de Análises Econômicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Salomão Quadros. No ano, o IGP-DI acumula altas de 10,06% e de 11,74% em 12 meses.
Segundo Quadros, foi observada redução da variação de preços de agosto para setembro tanto no atacado quanto no varejo. O Índice de Preços por Atacado (IPA) recuou de 1,59% para 0,65% e o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), de 0,79% para 0,01%. Já o Índice Nacional do Custo da Construção (INCC) encolheu de 0,81% para 0,58%. O economista não descartou que o IGP-DI de outubro também possa ficar abaixo de 1%.
Segundo Quadros, o IGP-DI de setembro também trouxe notícias positivas sobre o núcleo da inflação no varejo, que exclui 20% das maiores altas e 20% das maiores quedas de preço. ''O núcleo ficou em 0,38%. Nos últimos três meses, ele tem se apresentado praticamente estável, em torno de 0,40% ao mês. Creio que, no curto prazo, o cenário da inflação no varejo é tranquilo'', disse. Em 12 meses, o núcleo acumula alta de 5,87%.
Ao comentar sobre o cenário da inflação em setembro, Quadros observou que a menor inflação no atacado se deu tanto nos preços dos produtos agrícolas quanto nos industriais. Segundo ele, a boa oferta de produtos agrícolas, beneficiada pelo clima favorável, tem reduzido preços há algumas semanas.
Mas a situação dos produtos industriais era diferente. ''Em setembro, houve recuo de preços em 14 dos 18 gêneros industriais dentro do atacado. Isso é muito raro de acontecer'', disse. O economista destacou que houve menor variação de preços de siderúrgicos no atacado (de 7,97% para 2,88%), produtos que foram responsáveis por aumento da inflação de agosto. Ele não quis considerar o resultado como o início de uma tendência de desaceleração no setor. ''Pode ser que (o preço do aço) suba de novo'', afirmou.
No varejo, o IPC-DI teve a menor taxa em 15 meses. Para o economista da FGV André Braz, o resultado foi provocado pela deflação de preços no grupo alimentação (de 1,63% para -1,05%) no varejo. Houve ainda recuo de preços no grupo Transportes (de 1,34% para -0,10%), provocado pela menor variação de preços em gasolina (de 1,10% para 0,11%) e álcool (de 8,94% para 3,98%).
Para o economista-chefe da Consultoria Global Station, Marcelo de Ávila, o atual cenário de redução da inflação, confirmado pelo IGP-DI, pode acabar se tornando uma ''ótima oportunidade'' para que o reajuste dos combustíveis seja feito este mês. Ele explicou que o grupo de transportes mostra deflação de preços. Além disso, há deflação no grupo alimentos, o que pode contrabalançar o impacto de uma eventual elevação dos combustíveis.


