IGP-DI de janeiro sobe para 0,80%
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segunda-feira, 09 de fevereiro de 2004
Jacqueline Farid<br> Agência Estado 
Rio de Janeiro - O Índice Geral de Preços ao Consumidor-Disponibilidade Interna (IGP-DI) acompanhou a tendência de alta de todas as taxas de inflação divulgadas em janeiro e subiu para 0,80%, ante 0,60% em dezembro. A elevação foi provocada especialmente pelos reajustes de produtos siderúrgicos, no atacado, e de alimentos e mensalidades escolares, no varejo.
O coordenador de Análises Econômicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Salomão Quadros, disse que os dados do IGP-DI de janeiro mostram que ''não há trajetória explosiva dos preços industriais'' e que os números ''não trazem acréscimo de preocupação''. Segundo ele, ''os dados do IGP-DI, e especialmente dos produtos industriais no atacado, não dão ainda o alívio da queda nos preços, mas mostram que há uma estabilidade na trajetória de aceleração''. Para ele, ''não há razão para preocupação adicional, mas deve-se ainda permanecer em estado de alerta''.
O Índice de Preços do Atacado (IPA-DI) ficou praticamente estável de dezembro (0,74%) para janeiro (0,75%), especialmente por causa do impacto de desaceleração dos produtos agrícolas. ''A boa novidade do IPA é essa deflação na agricultura'', disse Quadros. Os produtos agrícolas passaram de uma variação de 0,58% em dezembro para -0,34% em janeiro, sob impacto especialmente da desaceleração de cereais e grãos (3,77% para 0,90%), com queda forte nos preços do arroz em casca (8,20% para -1,01%).
Por outro lado, explicou Quadros, o maior impacto no IPA-DI foi dado pelo setor siderúrgico e de metais não-ferrosos. Os produtos industriais passaram de 0,80% para 1,20%, com destaque para azulejos (0,48% em dezembro para 6,11% em janeiro); ferro, aço e derivados (setor siderúrgico, de 0,52% para 5,03%) e metais não-ferrosos (como alumínio, de 1,69% para 5,98%).
O reajuste do aço já chegou no varejo por meio de automóveis, cuja variação ao consumidor passou de 0,21% em dezembro para 2,88% em janeiro. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC-DI) subiu de 0,43% em dezembro para 1,08% em janeiro, sob impacto especialmente nos reajustes dos produtos alimentícios e das mensalidades escolares.
O item Alimentação praticamente quadruplicou a alta de um mês para o outro, passando de 0,50% para 1,91%. O grupo Educação, Leitura e Recreação também sofreu forte aceleração, saltando de 1,17% para 3,62%. ''Estão ocorrendo aumentos típicos desta época do ano. Alimentação foi influenciada especialmente pela alta de hortaliças e frutas'', disse Quadros.
As maiores altas no IPC-DI em janeiro ocorreram em tomate (42,54%), cenoura (13,43%), manga (26,87%), curso ensino superior (5,95%), curso ensino fundamental (6,35%) e curso de ensino médio (5,90%).
O Índice de Custo da Construção (INCC-DI) subiu de 0,33% em dezembro para 0,33%, pressionado por reajustes em materiais de construção (0,62%).


