Rio de Janeiro - A inflação de abril medida pelo Índice Geral de Preços-Disponibilidade Interna (IGP-DI), divulgado ontem pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), apresentou alta de 1,15%, a maior do índice desde março do ano passado (1,66%). Em relação a março deste ano (0,93%), houve alta de 0,22 ponto percentual. O IGP-DI acumula alta de 4,02% neste ano e de 5,71% em 12 meses.
Como vem ocorrendo com os índices da FGV, a alta de abril foi mais uma vez liderada pelos preços no atacado. O Índice de Preços por Atacado (IPA), com peso de 60% no índice geral, mostrou variação de 1,57%, contra 1,09% em março. Combustíveis (passaram de queda de 3,95% para alta de 0,80%) e remédios (de zero para 6,67%) tiveram peso decisivo na alta.
A aceleração inflacionária no atacado foi liderada pelos preços industriais, que aumentaram 1,86%, quase o dobro da alta do mês anterior (0,84%). Os produtos agrícolas aumentaram no mês passado 0,80%, desacelerando 0,68 ponto percentual em relação ao mês anterior (1,48%).
''O IPA é sempre um sinal de alerta, mas não há, no momento, nenhum sinal de aumento indiscriminado e a possibilidade de repasse é pequena'', disse Salomão Quadros, coordenador de Análises Econômicas da FGV. Para ele, nem a inflação e nem a turbulência no mercado financeiro são motivos para o Banco Central interromper a trajetória de queda dos juros, ainda que em velocidade reduzida.
No varejo, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que corresponde a 30% do IGP-DI, mostrou desaceleração em abril, ficando em 0,31%, contra 0,46% em março. Os alimentos, cujos preços aumentaram apenas 0,12% (haviam subido 0,94% em março) deram a maior contribuição para o bom desempenho da inflação no varejo. Já o grupo vestuário, com a chegada às lojas das coleções de inverno, exerceram forte pressão de alta varejo, passando de uma queda de preços de 0,60% para uma alta de 0,93%.
Houve também forte desaceleração no Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), responsável por 10% na composição do IGP-DI. A variação de abril foi de 0,59%, contra 1,16% em março.

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