Rio de Janeiro - O recuo na variação de preços no atacado e no setor da construção civil levou também à queda da inflação de junho, medida pelo Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI), que ficou em 1,29%, ante 1,46% em maio. Para o coordenador de Análises Econômicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Salomão Quadros, a inflação pode estar em trajetória de queda. Com o bom desempenho, ele não descarta a possibilidade de que a variação do IGP-DI de julho possa ser menor do que a de junho. ''Isso não quer dizer que a inflação vá desaparecer, mas sinais indicam que não estamos mais no patamar de 1,50% nos resultados do IGPs'', disse.
Quadros explicou que, dentro do Índice de Preços por Atacado (IPA-DI), que caiu de 1,71% para 1,57% de maio para junho, os produtos agrícolas passaram de 2,71% para 0,52%. O IPA-DI representa 60% do resultado total do índice inflacionário. ''O recuo nos preços dos itens agrícolas foi muito importante para a desaceleração do IPA'', disse.
Já os produtos industriais passaram de 1,32% para 1,97% de maio para junho, também no atacado, devido à aceleração de preços do grupo combustíveis e lubrificantes (de 1,73% para 5,6%). Quadros lembrou que a Petrobrás anunciou, dia 14 de junho, reajuste nos preços de gasolina e diesel, respectivamente de 10,8% e 10,6%.
''Apenas metade do reajuste foi captada no IGP-DI, que abrange o período do dia 1º ao dia 30 junho'', disse o economista. Segundo ele, o IGP-10 e o IGP-M (ambos de julho) ainda vão trazer impactos da alta de preços de combustível.
O Índice Nacional do Custo da Construção (INCC-DI) subiu 0,70% ante o aumento de 1,83% em maio. Embora este indicador represente apenas 10% do resultado do IGP-DI, o recuo foi expressivo e ajudou a diminuir a taxa do indicador total.
No varejo, os preços subiram. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC-DI) subiu para 0,78% em junho, ante os 0,70% de maio. As altas nos grupos Transportes (1,50%) e Alimentação (1,27%) responderam por 67% do resultado total da variação do IPC-DI de junho.
Quadros destacou como positivo o fato do núcleo do IPC-DI ter recuado na comparação mensal e acumulada, com taxa de 0,50% em junho, ante 0,57% em maio. Em 12 meses o núcleo acumulou alta de 6,39% ante elevação de 6,64% até maio. Entretanto, disse que o cenário não é suficiente para que o Banco Central reduza a taxa básica de juros (Selic) na próxima reunião do Copom. O cálculo do núcleo é feito por médias aparadas, no qual se excluem 20% das influências mais positivas de preços e 20% das influências mais negativas no varejo.

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