Agência Estado
Do Rio de Janeiro
A inflação em outubro foi de 1,89%, segundo o Índice Geral de Preços de Disponibilidade Interna (IGP-DI) da Fundação Getúlio Vargas (FGV-RJ), que mede o custo de vida entre o primeiro e o último dia do mês. O resultado demonstra que o aumento do consumo já permite o repasse da inflação acumulada no atacado, segundo o economista Paulo Sidney Melo Cota, chefe do Centro de Estudos de Preços da fundação e responsável pelo índice.
O Índice de Preços do Consumo (IPC), um dos três usados para o cálculo do IGP-DI, aumentou 0,92% em outubro – resultado 0,73 ponto percentual acima do de setembro. ‘‘Já estão passando cheque por conta do 13º salário’’, avaliou Melo Cota.
O aumento de 0,50% dos preços da habitação, que não era previsto, deixou ‘‘claro’’ o repasse dos aumentos no atacado, que continua influenciado pelo dólar caro e a entressafra agrícola. Em outubro, o Índice de Preços ao Atacado (IPA) ficou em 2,58%.
Os aumentos de 1,72% no vestuário, 1,56% no transporte e de 1,40% na alimentação registrados no IPC já eram esperados, afirmou Melo Cota. No primeiro caso, a alta foi resultado da entrada da nova coleção primavera-verão. O transporte sofreu influência dos reajustes do automóvel novo (5,49%), álcool (9 91%), gasolina (1,91%) e táxi (10,24%). A alimentação sofreu influência dos aumentos no atacado, explicou.
O economista afirmou que novos aumentos devem ser registrados no IPC nos últimos dois meses do ano. O comportamento das vendas do fim de ano também vai definir os preços em janeiro, previu: se houver muito consumo, novos reajustes serão dados no primeiro mês de 2000, porque as indústrias estão com pouco estoque.
Se as vendas forem fracas, devem ser realizadas liquidações de produtos que não foram comprados no Natal. As negociações salariais também vão determinar o comportamento do custo de vida, avisou o chefe do Centro de Estudos de Preços da FGV-RJ.
O IGP-DI acumulado de janeiro a outubro é de 15,59%. Melo Cota afirmou que ‘‘já furou’’ o parâmetro de 16,60% deste índice para todo o ano, acertado na negociação entre o governo e o FMI. O número, no entanto, não é uma meta rígida para ser atingida pelo governo, como a variação anual de 8% do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), determinada na política de metas da inflação do Banco Central (BC).
O economista da FGV-RJ previu que o IGP-DI de janeiro a dezembro fique entre 17,5% a 18,5% – um aumento de 0,5 ponto percentual acima da margem prevista anteriormente.

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