IGP-DI aponta inflação de 0,19% em fevereiro
Agência Estado
Do Rio de Janeiro
A inflação de fevereiro foi de 0,19% segundo o Índice Geral de Preços de Disponibilidade Interna (IGP-DI), divulgado ontem pela Fundação Getúlio Vargas (FGV-RJ). O índice foi 0,83 ponto percentual abaixo do registrado em janeiro e o mais baixo desde maio do ano passado, quando o IGP-DI ficou em -0,34%.
A queda dos preços dos produtos agrícolas foi o principal fator para a pequena variação, segundo o chefe do Centro de Estudos de Preços da FGV-RJ, Paulo Sidney Melo Cota. Mas o custo de vida foi pressionado pela alta dos preços dos produtos primários com cotação internacional.As matérias-primas estão aumentando no exterior, e isso talvez prejudique a queda de preço dos produtos industriais, afirmou.
A inflação no atacado foi de 0,17%, em consequência da deflação de 1,13% dos preços agrícolas e da alta de 0,74% dos preços industriais. As quedas de preços mais expressivas foram do feijão (17,14%) e do mamão (14,90%). A cotação dos bovinos, de grande peso no cálculo do IGP-DI, também caiu 3,43% em março.
No varejo, houve redução de preços de 0,28% dos alimentos, como efeito do recuo das cotações dos produtos agrícolas, e de 2,24% do vestuário, ainda em consequência das liquidações. O maior aumento foi registrado entre os artigos de saúde e cuidados pessoais, que variaram 0,63%.
Melo Cota previu que em março o IGP-DI fique entre 0,20% e 0,40%, interrompendo a trajetória de queda apontada no mês passado. As principais pressões virão do reajuste de 12,5% das passagens de ônibus no Rio de Janeiro e do aumento dos combustíveis, afirmou.
Somente estes dois fatores devem ter um peso de 0,38% no cálculo do índice. Mas a pressão será contida pelos preços dos alimentos, que continuarão caindo neste mês, previu o economista. A queda do dólar não deve provocar deflação, porque os preços dos produtos primários, cotados na moeda norte-americana, continuam aumentando.
Melo Cota afirmou que a inflação no primeiro trimestre, o mais manso, segundo ele, deve ficar em 1,5%, e não mais 1%, como era previsto. No segundo trimestre, lembrou, a inflação será pressionada pelo reajuste das tarifas e de outros serviços com preços controlados.
Para o economista, estes reajustes devem impedir o governo de reajustar novamente os combustíveis, no primeiro semestre. O governo vai esperar para dar (o reajuste) no segundo semestre, afirmou.





