A inflação de fevereiro foi de 4,44%, segundo o Índice Geral de Preços de Disponibilidade Interna (IGP-DI), que mediu a evolução dos preços entre os dias 1º e 28 do mês passado, divulgado ontem pela Fundação Getúlio Vargas (FGV-RJ). O índice foi 3,29 pontos percentuais acima do resultado de janeiro (1,15%).
A inflação acumulada nos últimos 12 meses pelo IGP-DI é de 6,48%, mas somente os dois primeiros meses deste ano responderam por 5,64%. O índice foi o maior registrado pela FGV-RJ desde julho de 1994, no início do Plano Real, quando o IGP-DI ficou em 5,47%.
Os preços no atacado, que têm maior peso no cálculo do índice, foram os grandes responsáveis pela alta da inflação, com alta de 6,99%. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) teve alta de 1,41%, e o Índice Nacional de Custos da Construção (INCC), de 0,98%.
O chefe do Centro de Estudos de Preços da FGV-RJ, Paulo Sidney Mello Cota, afirmou que há uma tendência de redução da inflação a partir deste mês, se continuar a trajetória de recuperação do valor do real. Neste caso, acredita ele, a maior alta de preços deste ano será captada pelo Índice Geral de Preços 10 (IGP-10) deste mês, que mede a alta da inflação desde o dia 11 de fevereiro até hoje, e vai ser divulgado no dia 19.
‘‘Vai haver uma queda, mas não tão substancial’’, afirmou. Ele já espera um recuo de preços cotados em dólar, como os do minério de ferro e carvão e produtos primários agrícolas, cujos aumentos em fevereiro foram a principal causa da inflação registrada pelo IGP-DI.
Para o economista, a indústria da transformação também foi atingida no mês passado pela desvalorização do real, mas este impacto vai ser menor no varejo, com o recuo do valor da moeda norte-americana. ‘‘O impacto já seria menor, pela resistência natural, com a negociação entre supermercados e fornecedores e a procura desaquecida’’, afirmou.

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