IGP-10 tem menor índice desde 93
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quarta-feira, 18 de junho de 2003
Nilson Brandão Junior<br> Agência Estado 
Rio de Janeiro A retração da demanda está puxando os preços para baixo mais fortemente. Foi o que demonstrou a divulgação, ontem, do Índice Geral de Preços (IGP-10) de junho, que fechou em -0,59%, menor taxa desde o início do cálculo do indicador, em 1993. Em produtos mais sensíveis ao nível da atividade econômica, selecionados no atacado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), o recuo da inflação foi maior.
''O efeito da demanda começa a aparecer com mais intensidade do que antes'', disse o coordenador de Análises Econômicas da FGV, Salomão Quadros, para quem o corte da taxa Selic definido ontem foi ''adequado''. Segundo ele, a economia tem rápida capacidade de reação, mas a falta de investimentos impede a oferta de acompanhar um avanço acelerado do consumo. Além disso, o efeito da safra tende a terminar e, embora menos do que antes, ainda existe algum nível de inércia.
Um levantamento da FGV com base nas variações de preços no atacado mostra que os efeitos tardios da queda do dólar e os impactos favoráveis da safra e da queda de preços dos combustíveis ainda seguram a inflação. Para este grupo de produtos (basicamente alimentação, matérias semi-elaboradas, combustíveis e commodities), a deflação aumentou em 0,88 ponto porcentual de maio para junho. Nos itens mais sensíveis à demanda, o recuo foi maior, de 1,26%. Este grupo reúne bens de consumo e de produção.
Alguns exemplos são as variações de máquinas e equipamentos para indústria (-0,31%), eletrodomésticos (-2,61%) e móveis de madeira (-0,59%). O Índice de Preços ao Atacado (IPA-10) fechou em -1,49%. Em maio, havia sido de -0,42%. Em junho, houve deflação em 199 dos 462 produtos pesquisados, quase o triplo dos 68 casos de queda de preços em janeiro. A apuração do IGP-10 vai de 11 de maio a 10 de junho.
Já a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPC-10) caiu pela metade: passou de 0,92% para 0,45%. No varejo, houve desaceleração dos aumentos de preços de alimentação, habitação, vestuário, saúde e educação. No grupo de transportes, ocorreu deflação.
A inflação do custo da construção avançou 3,20%, por conta de uma concentração de dissídios no mesmo período. No ano, o IGP-10 acumula 7,13% e, nos últimos 12 meses, 29,66%.


