IGP-10 tem maior alta em 5 anos com preços do atacado
Alessandra Saraiva
Rio - As acelerações de preços no atacado e na construção civil foram determinantes para a alta da inflação medida pelo Índice Geral de Preços - 10 (IGP-10) de 1,52% em maio para 1,96% em junho, o maior nível desde fevereiro de 2003, quando o índice subiu 2,42%. De maio para junho, os preços no atacado subiram de 1,91% para 2,21% e, na construção civil, de 0,85% para 2,66%. A avaliação é do coordenador de Análises Econômicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Salomão Quadros. Nos últimos 12 meses terminados em junho, o indicador já subiu 12,71%, a mais elevada inflação desde novembro de 2003, quando o IGP-10 subiu 14,08%. ''Essa taxa acumulada vai se elevar ainda mais, no mês que vem'', afirmou o economista.
De acordo com ele, embora a inflação na construção civil tenha menor peso no cálculo do IGP-10, a disparada de preços no setor foi tão intensa que sua influência se equiparou à contribuição do setor atacadista na formação do indicador - que é o de maior peso no cálculo do indicador.
No setor atacadista, o destaque ficou por conta da aceleração de preços nos bens finais, que passaram de alta de 0,51% em maio para 1,65% em junho. Isso porque houve uma ''virada'' nos preços dos in natura, que passaram de uma deflação de 6,10% em maio para uma inflação de 8,03% em junho. ''O feijão subiu 20,95% em junho, ante queda de 9,89% em maio. Há uma insuficiência de safra para atender à forte demanda'', afirmou Quadros. Segundo ele, o País está recorrendo à importação para suprir a demanda. Os ovos também sofreram uma mudança em sua trajetória de preços, com queda de 10,13% em maio para elevação de 12,33% em junho.
No setor da construção civil, houve aumentos mais intensos de preços em materiais (+1,83%), serviços (+1,40%) e mão-de-obra (+3,69%). No caso dos materiais, a inflação no setor foi a mais forte desde novembro de 2004, quando os preços subiram 1,92%. ''O setor da construção, está recebendo o impacto das altas de preço no atacado. A demanda no setor está muito aquecida'', afirmou Quadros.
Bens de investimento
Pressionados pela forte demanda no mercado interno, os preços dos bens de investimento no atacado dispararam de maio para junho, de 0,03% para 1,11%. Segundo Quadros, o nível de elevação nos preços de bens de investimento foi o mais intenso desde maio de 2005, quando subiram 1,87%. ''Isso já é uma ameaça para a inflação presente'', afirmou.





