IGP-10 registra deflação de 0,41%
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quinta-feira, 16 de junho de 2005
Agência Estado 
Rio de Janeiro - A valorização do real ante o dólar, que provocou queda de preços no atacado, aliada ao recuo de preços no varejo levou o Índice Geral de Preços - 10 (IGP-10) a uma deflação de 0,41% em junho, ante variação zero em maio. Foi a menor taxa desde julho de 2003, e abaixo das expectativas do mercado financeiro, que esperava resultado entre -0,35% a 0,10%.
Segundo informou ontem a Fundação Getúlio Vargas (FGV), o fator decisivo para a despencada da inflação em junho foi mesmo o câmbio, que puxou para baixo os preços de insumos industriais no atacado, ligados direta ou indiretamente ao dólar; e de algumas commodities agrícolas.
Para o coordenador de Análises Econômicas da FGV, Salomão Quadros, a deflação está se aprofundando nos IGPs. ''Essa é a terceira deflação consecutiva em um índice fechado. Tivemos o Índice Geral de Preços (IGP-M) de maio, que caiu 0,22%, e o Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI) de maio, com deflação de 0,25%'', disse. Ele considerou que a taxa negativa do IGP-10 de junho, cujo período de coleta de preços foi do dia 11 de maio a 10 de junho, foi a mais intensa das três. ''Provavelmente, poderemos ter deflações de novo, no IGP-M de junho'', disse. Para ele, o processo de deflação está ''espalhado'' principalmente no atacado.
Quadros foi cauteloso ao comentar a decisão do Copom de mater a Selic em 19,75%. ''O Banco Central percebeu que a meta de inflação (do ano) pode ser mais facilmente atingida'', disse, classificando a estabilidade como ''uma boa decisão''.
Com o efeito benéfico do câmbio, os preços industriais no atacado caíram 0,67% em junho ante alta de 0,58% em maio. Já os preços dos produtos agrícolas permaneceram em deflação em junho, com queda de 2,39%, ante taxa negativa de 3,37% em maio. Isso fez com que o Índice de Preços por Atacado -10 (IPA-10), registrasse deflação de 1,10%, também o menor resultado desde julho de 2003.
O recuo intenso de preços no atacado é o motivo principal nas deflações registradas até agora, visto que o IPA responde 60% do cálculo dos IGPs. Além do câmbio, os preços dos alimentos no atacado continuam em queda, favorecidos pela melhor oferta de itens agrícolas de peso, graças ao fim dos problemas climáticos. Esse cenário, na avaliação de Quadros, não tem como ser revertido em um espaço curto de tempo.
No varejo, o Índice de Preços ao Consumidor -10 (IPC-10) caiu quase à metade, com taxa de 0,51% em junho, ante alta de 0,93% em maio, devido aos recuos em Transportes (alta de 1,18% para queda de 0,05%) e Alimentação (de 1,24% para 0,41%). A menor pressão de altas em preços administrados provocou a menor inflação em Transportes. No caso dos alimentos, a redução foi originada do repasse da recente queda de preços dos agrícolas no atacado, e de alguns ''fatores transitórios'' como o recuo de Hortaliças e Legumes (de 5,32% para 2,98%).
Já o Índice Nacional do Custo da Construção -10 (INCC-10) subiu para 2,21% em junho ante alta de 0,64% em maio. O IGP-10 acumula altas de 2,18% no ano e de 7,64% em 12 meses.


