Rio - A perda de força no Índice Geral de Preços - 10 (IGP-10) de fevereiro, que teve a menor taxa em sete meses (0,04%), sinaliza novo ciclo de declínio na variação dos Índices Gerais de Preços (IGPs), na avaliação do coordenador de Análises Econômicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Salomão Quadros. O especialista não descarta novas deflações na família dos IGPs, pelo menos no curto prazo. ''Se não houver deflação, pode ficar muito perto da linha divisória'', afirmou.
Um destaque para o enfraquecimento da inflação foi a trajetória de preços de alimentos, que seguem comportados tanto no atacado quanto no varejo. No atacado, os preços de alimentação passaram de 0,52% para -0,62%, de janeiro para fevereiro, favorecidos pelo forte recuo de itens processados este mês (-2,22%), apesar da expansão de 4,25% dos produtos in natura, neste setor.
Isso porque as commodities agropecuárias seguem com preços moderados. No IGP-10, as matérias-primas brutas agropecuárias, que representam commodities, intensificaram deflação (de -0,15% para -0,24%) e podem continuar a cair, de acordo com Quadros. Na prática, este cenário tem deixado alimentos mais baratos no atacado e no varejo.
Outro ponto favorável para a inflação comportada em fevereiro foi o minério de ferro, que, devido à menor demanda global, ficou 3,84% mais barato no atacado este mês.
Na análise de Quadros, as recentes pressões na inflação observadas em janeiro e concentradas mais no varejo são passageiras. É o caso de reajustes em tarifas de ônibus e mensalidades escolares. Ao mesmo tempo, devem prosseguir, pelo menos no curto prazo, as contribuições que ajudaram na formação de uma taxa menor do IGP-10 este mês contra janeiro.
Preços agropecuários
Em análise enviada a clientes e à imprensa, a LCA Consultores considera que o comportamento do Índice Geral de Preços - 10 (IGP-10) de fevereiro deve ser parâmetro para os demais IGPs do mês, com a desaceleração dos preços agropecuários e dos preços ao consumidor se sobrepondo ao aumento da pressão nos preços industriais. ''Projetamos que IGP-M e IGP-DI de fevereiro fiquem em patamar próximo ao da presente leitura do IGP-10'', diz o texto da consultoria, que espera que as desacelerações previstas para o Índice de Preços ao Produtor Agropecuário (IPA) e o conjunto de preços no varejo ''compensarão sutil movimento de aceleração dos preços industriais no atacado''.
Na abertura do indicador, o Índice de Preços ao Produtor Amplo - 10 (IPA-10) arrefeceu a queda de 0,27% para 0,19% entre janeiro e fevereiro, puxado pelo recuo também menor dos preços industriais no atacado, de -0,53% para -0,36%, no período. O IPA Agropecuário, por sua vez, reduziu a intensidade de alta, de 0,44% para 0,29%. O Índice de Preços ao Consumidor - 10 (IPC-10) subiu 0,41%, ante 0,92% em janeiro, e o Índice Nacional da Construção Civil - 10 (INCC-10) avançou 0,66%, de 0,43% no mês anterior.

Imagem ilustrativa da imagem IGP-10 mais fraco reforça ciclo de deflação em 2012
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