IGP-10 dispara 1,30%, na maior alta desde julho de 2008
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quarta-feira, 16 de junho de 2010
Alessandra Saraiva<br>Agência Estado 
Rio de Janeiro - A inflação medida pelo IGP-10 se acelerou em junho e subiu 1,30% este mês, após avançar 1,11% em maio, segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV). Essa inflação foi a maior já registrada nesse tipo de indicador desde julho de 2008, quando o indicador apresentou elevação de 2%. Mas não surpreendeu o mercado financeiro, uma vez que o resultado ficou dentro das previsões de analistas que esperavam alta entre 1,20% e 2,05%.
No caso dos três indicadores que compõem o IGP-10 de junho, o Índice de Preços Índice de Preços por Atacado (IPA-10) teve alta de 1,68% este mês, após subir 1,34% em maio. Por sua vez, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC-10) apresentou deflação de 0,01% em junho, em comparação com a alta de 0,64% no quinto mês do ano. Já o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-10) teve taxa positiva de 2,01% em junho, em comparação com o aumento de 0,77% em maio. Até junho, o índice acumula altas de 5,55% no ano e de 5,03% em 12 meses. O período de coleta de preços para o IGP-10 desse mês foi do dia 11 de maio a 10 de junho.
Atacado
Segundo a FGV, os preços dos produtos industriais subiram 2,23% no atacado em junho, ante aumento de 1,24% em maio. Segundo a fundação, os preços dos produtos agrícolas caíram 0,04% no atacado em junho, após subirem 1,65% em maio. Ao detalhar a movimentação de preços por estágios da produção, a FGV informou que os preços dos bens finais tiveram queda de 0,62% este mês, em comparação com a alta de 0,35% apurada em maio.
Já os preços dos bens intermediários no atacado subiram 0,84% em junho, em comparação com o aumento de 0,75% no mês passado. Por fim, os preços das matérias-primas brutas no atacado subiram 6,38% em junho, após avançarem 3,82% em maio.
Varejo
No varejo, o IPC-10 acumula altas de 3,89% no ano e de 5,06% em 12 meses até junho. O IPC-10, que representa a evolução de preços varejistas, representa 30% do total do IGP. De acordo com a instituição, o retorno à deflação do IPC-10, de maio para junho (de 0,64% para -0,01%, foi causado principalmente por quedas e desacelerações de preços em quatro das sete classes de despesa usadas para cálculo do índice que mede a inflação varejista. É o caso de alimentação (de 1,21% para -1,05%); sa© úde e cuidados pessoais (de 0,87% para 0,46%); educação, leitura e recreação (de 0,30% para 0,06%); e transportes (de -0,01% para -0,14%).
Porém, entre estas classes de despesa, mais uma vez o grupo alimentação é o destaque e contribuiu preponderantemente para a queda no IPC-10. Isso porque, entre os alimentos, houve quedas e desacelerações de preços em produtos importantes como hortaliças e legumes (de 1,44% para -7,58%), laticínios (de 3,78% para 0,12%) e carnes bovinas (de 2,87% para 0,08%). As outras classes de despesa apresentaram aceleração de preços, de maio para junho. É o caso de habitação (de 0,39% para 0,65%); vestuário (de 0,91% para 1,19%); e despesas diversas (de 0,29% para 0,31%). Entre os produtos pesquisados no varejo, as altas de preço mais expressivas foram registradas em tarifa de eletricidade residencial (2,18%); cebola (12,66%); e mamão da amazônia - papaya (7,76%). Já as mais significativas quedas foram apuradas nos preços de tomate (-21,85%); batata-inglesa (-12,70%); e açúcar refinado (-7,46%).


