Rio A inflação medida pelo Índice Geral de Preços -10 (IGP-10) de maio registrou variação zero (0%) ante alta de 1,17% em abril, o menor resultado em quase dois anos (22 meses). A inflação de maio contou com uma queda forte nos preços no atacado. ''Houve uma forte queda dos preços dos produtos agrícolas, de -3,37%, que foi a mais intensa desde maio de 1999'', explicou o coordenador de Análises Econômicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Salomão Quadros.
Mesmo com o bom resultado geral, a inflação do varejo ainda preocupa, pois atingiu em maio o maior resultado desde abril de 2003, com o Índice de Preços ao Consumidor -10 (IPC-10) passando de 0,75% em abril para 0,93%.
Não foi suficiente para mudar o saldo total, já que o IPA-10, que tem maior peso no cálculo, passou de alta de 1,43% em abril para queda de 0,43% em maio, também o menor resultado desde julho de 2003. O período de coleta do IGP-10 foi do dia 11 de abril a 10 de maio.
Para Quadros, entre os fatores que levaram ao recuo na inflação estão a apreciação do frente frente ao dólar, que puxou para baixo preços de produtos direta ou indiretamente relacionados à moeda norte-americana, e o término do ''choque dos preços agrícolas'' no atacado, causado por problemas climáticos. ''Mas o fator preponderante no recuo foi provocado mesmo pelos agrícolas'', avaliou.
O economista da FGV explica que os preços nesse setor passam por um ajuste, visto que subiram demais na época em dominavam o noticiário as notícias da forte estiagem na região Sul, que prejudicou várias lavouras. Como exemplo, citou o caso da soja, cujos preços passaram de alta de 12,77% em abril para queda de 8,40% em maio.
''Com o fim do choque dos agrícolas na inflação do atacado, os efeitos favoráveis do câmbio na inflação, que já estão ocorrendo há algum tempo, vão ganhar mais destaque'', disse.
Mas a aceleração da inflação no varejo é um fator a mais a se considerar, segundo Quadros. Embora tenha preferido se abster de fazer previsões para a decisão do Conselho de Política Monetária (Copom) sobre juros, ele reiterou que o aquecimento da demanda interna pode ser um dos fatores que estão elevando a inflação do varejo.
Na opinião da estrategista para América Latina do banco Royal Bank of Scotland, Flavia Cattan-Naslausky, o resultado do IGP-10 de maio proporciona um alívio, ''embora seja necessário considerar a volatilidade nos preços agrícolas''.
A elevação dos preços no grupo Alimentação (de 0,89% para 1,24%) comandou a subida do IPC-10. Os alimentos ainda sofrem a influência do repasse da alta de preços dos agrícolas, no atacado, que já foi superada.
Já o Índice Nacional do Custo da Construção (INCC-10) passou de 0,38% para 0,64% de abril para maio. O IGP-10 acumula altas de 2,60% no ano e de 9,70% em 12 meses.

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