Rio - A pressão do dólar sobre os alimentos no atacado levou a inflação medida pelo Índice Geral de Preços-10 (IGP-10) a bater um recorde dos últimos oito anos em novembro, atingindo 4,73%, a mais alta desde agosto de 1994 (12,57%), segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV). Já o Índice de Preços por Atacado (IPA-10), que representa 60% do resultado total do IGP-10, subiu 6,40%, também o maior resultado desde agosto de 1994. Em outubro, o IGP-10 havia registrado inflação de 3,32%.
O economista da FGV, Salomão Quadros, observou que os efeitos da desvalorização cambial ainda se fazem sentir nos preços do atacado, mas é possível identificar um pequeno indício de desaceleração no início da cadeia produtiva. Ele informou que o setor matérias-primas brutas desacelerou em novembro, atingindo alta de 6,20% no mês; em outubro, esse segmento teve alta de 7,51%. ''Isso pode refletir a recente desaceleração do dólar'', disse.
No atacado, os produtos agrícolas tiveram alta de 8,01%, ante elevação de 7,37% registrado no IGP-10 de outubro. Já nos produtos industriais, a alta foi de 5,73%; no mês passado, esse setor subiu 3,80%. Os produtos que tiveram alta expressiva em novembro no atacado foram bovinos (7,03%), milho (23,84%), soja (11,70%) e ovos (18,75%).
Quadros chamou a atenção para o varejo. Embora o Índice de Preços ao Consumidor-10 (IPC-10) tenha tido alta inferior ao IPA-10, atingindo 1,86%, o efeito do câmbio está mais disseminado no varejo do que no atacado. Todos os grupos que integram a formação do IPC-10 tiveram alta de outubro para novembro, com destaque para alimentação, que subiu 3,43% este mês ante alta de 1,61% no mês passado. ''Acho que esta é a maior alta no grupo alimentação, no varejo, desde 1995'', disse Quadros, alertando ainda que de janeiro a novembro este grupo acumula inflação de 11,22%.
''O ano ainda não acabou. Mas com certeza 2002 terá a maior inflação ao ano do grupo alimentação no varejo desde 1995. O repasse cambial está muito disseminado nesse setor'', disse.
Outras altas expressivas foram verificadas nos preços dos grupos habitação (0,77%), vestuário (1,65%), saúde e cuidados pessoais (0,72%), educação, leitura e recreação (1,42%), transportes (2,86%) e despesas diversas (1,59%).Em termos de produto, no varejo, as altas mais expressivas foram observadas nos preços de gasolina (5,07%), pão francês (5,54%), tarifas aéreas (17,66%).

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