IGP-10 acelera para 0,63% este mês
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sexta-feira, 14 de junho de 2013
Andréa Bertoldi<br>Reportagem Local 
Curitiba - A inflação de junho medida pelo Índice Geral de Preços-10 (IGP-10) subiu 0,63% depois de ter recuado 0,09% em maio. Os dados foram divulgados ontem pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). O resultado ficou inclusive acima das projeções do mercado que estimava uma taxa de 0,36% a 0,57%.
O IGP-10 é formado por três indicadores, o Índice de Preços por Atacado (IPA-10) que teve alta de 0,43%, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC-10) que apresentou avanço de 0,39% e o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-10) que registrou aumento de 2,48%. Até junho, o IGP-10 acumula alta de 1,66% no ano e de 6,17% em 12 meses. O período de apuração do índice deste mês foi do dia 11 de maio a 10 de junho.
Os economistas entrevistados pela FOLHA concordam que o principal motivo para a alta da inflação veio da influência do câmbio, com a valorização do dólar frente ao real. Em junho, os itens que tiveram os maiores aumentos foram os produtos agropecuários (0,57%) e as matérias-primas brutas (0,67%).
Além destes aumentos, também ocorreram elevações significativas nos grupos habitação (0,61%), educação (0,19%), comunicação (0,18%) e mão de obra na construção civil (4,19%). De acordo com os economistas, a alta no custo da mão de obra está diretamente relacionada com o aquecimento da construção civil.
O presidente do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), Gilmar Mendes Lourenço, explicou que 60% do IGP-10 é formado pelos preços no atacado, e os produtos agropecuários e as matérias-primas brutas fazem parte desta lista. ''O que pesou no IGP-10 foram os preços no atacado, com a valorização do dólar'', disse. Segundo ele, com o aumento do dólar, alguns produtos agrícolas ficam mais caros, além das matérias-primas e produtos industriais importados.
O IGP-10 ainda é formado por 10% de peso do INCC e 30% do IPC.
Para Lourenço, o índice do IGP-10 de junho é preocupante. Ele acredita que esta inflação que se mostrou forte no atacado, em algum momento, deve ''contaminar'' o varejo. Esta alta de preços pode chegar ao consumidor final dentro de um a dois meses, mas tudo depende também da concorrência do mercado e do poder aquisitivo da população.
Ele prevê que, em julho, a inflação continue a subir. Lourenço acredita ainda que o índice oficial de inflação, o IPCA, continue acima do teto nos próximos dois meses. Para Lourenço, o fechamento da inflação de 2013, ainda vai depender muito da política econômica que for adotada pelo governo neste ano. ''É provável que o Banco Central continue aumentando a taxa de juros e interferindo no mercado para que o real não continue desvalorizando'', comentou.
O professor do curso de Economia da PUC-PR, Carlos Magno Bittencourt, concorda que o IGP-10 subiu motivado pelo aumento dólar. Ele prevê que, no próximo mês, a inflação continue subindo. Neste mês, o aumento dos fertilizantes também refletiu nos preços dos produtos agrícolas, segundo ele. ''É preocupante um salto destes no IGP-10 na atual conjuntura da economia brasileira'', declarou. (Com agências)



