Iglesias: 'AL está à beira da recessão'
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quarta-feira, 10 de outubro de 2001
France Presse<br> De Washington 
A América Latina foi atingida gravemente pelo desaquecimento econômico global e outros fatores externos adversos, e sua taxa média de crescimento econômico não passará de 1% este ano, afirmou ontem o presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Enrique Iglesias.
O prognóstico leva em consideração a piora da situação depois dos ataques terroristas de 11 de setembro nos Estados Unidos, disse Iglesias, estimando que a região ''está entrando num dos períodos mais difíceis, em muitas décadas''.
O Fundo Monetário Internacional (FMI), em estudo divulgado antes dos ataques, havia projetado uma taxa de crescimento médio de 1,7% para este ano e de 3,6% para 2002. A conjuntura econômica apresenta ''grandes riscos'' para a região nos próximos meses, já que a cada dia se torna mais difícil e caro o financiamento externo e os preços dos produtos latino-americanos de exportação despencaram, informou o presidente do BID.
A expectativa é a de que as economias dos países industrializados comecem a se recuperar por volta de meados de 2002, quando a América Latina e o Caribe poderão esperar uma melhoria moderada, com uma taxa de crescimento média em torno de 2%, afirmou Iglesias.
Enquanto isso, o BID está se preparando para criar um fundo de emergência de vários bilhões de dólares para dar assistência aos governos mais necessitados, anunciou.
O montante ainda não foi aprovado pela Junta de Diretores, mas é possível que a verba esteja disponível antes do final do ano, precisou Iglesias. O BID ajudará em particular a melhorar a segurança nos aeroportos e portos da América Latina e do Caribe, para assegurar o retorno à normalidade do tráfego de carga e de passageiros entre a região e os Estados Unidos. A redução do turismo está pondo em severas dificuldades os países da bacia do Caribe, disse Iglesias.
O presidente do BID advertiu que a conjuntura econômica apresenta ''grandes riscos'' para a América Latina e o Caribe nos próximos meses, já que a cada dia se torna mais difícil e caro o financiamento externo, os investimentos fogem e os preços dos produtos latino-americanos de exportação desabam.
O preço médio de uma cesta de produtos básicos de exportação da América Latina, excluindo o petróleo, é hoje em dia 26% menor do que era em 1997, e a tendência parece ser continuar nessa direção, pontualizou.
Também há quatro anos, o custo médio do financiamento para a região era de 260 pontos básicos (2,6%) sobre a taxa dos bônus do Tesouro dos Estados Unidos, e hoje se aproxima dos 900 pontos (9%), destacou.
Segundo dados do BID, os fluxos de capital para as sete maiores economias da região diminuíram de 100 bilhões de dólares entre 1997-98 para 50 bilhões nos 12 meses concluídos em março de 2001.
Dentro desse quadro, os investimentos em carteira, que chegaram a ser de 49 bilhões de dólares, ''virtualmente desapareceram'', e os investimentos diretos caíram de 72 bilhões para 57 bilhões no último ano, com tendência a continuar decrescendo.


