O iene sofreu ontem nova desvalorização levando os governos da China, da Tailândia, da Malásia e da Coréia do Sul a declararem que o Japão está empurrando a região para uma segunda crise asiática, de proporções muito maiores que a iniciada em 1997.
Durante o dia, o iene chegou a valer 142,5 por cada dólar, seu valor mais baixo em cerca de oito anos. No fechamento do mercado, recuou para 141,7, uma queda de 0,84%. A maioria das Bolsas da região - cujas cotações haviam despencado ontem - refletiu novamente o valor fraco do iene resultando em novas quedas.
A Bolsa de Tóquio caiu 2,12% - uma queda acumulada de 25% desde o início da crise asiática. As ações na Tailândia caíram, em média, 2,8%. Na Malásia, 1,40% e nas Filipinas, 4,63%. Todas essas quedas foram creditadas pelo mercado unicamente à crescente desvalorização do iene, que, segundo os governos da região, está sendo produzida pela inércia do governo de Tóquio em tomar providências.
O vice-primeiro-ministro da Tailândia, Supachai Panitchpakdi, disse que a queda do iene poderá detonar uma segunda crise asiática, muito mais forte e mais séria que a iniciada no ano passado porque seria espalhado pelo globo.
‘‘Iria empurrar o mundo inteiro dentro de si, como um buraco negro. Seria a primeira depressão em dimensões globais da história.’ Panitchpakdi não quis dizer qual seria o patamar em que o iene detonaria a crise global, mas disse que o câmbio atual já está num patamar ‘‘muito baixo’’. ‘‘Acho que já existe uma necessidade de uma ação internacional’’, disse ele.
O ministro de Comércio Internacional da China, Shi Guangsheng, reiterou que o valor do iene está prejudicando as exportações chinesas mas prometeu que o país não irá desvalorizar o yuan, a moeda chinesa. Representantes da Malásia e da Coréia do Sul telefonaram para o vice-ministro de Finanças para assuntos internacionais do Japão, Eisuke Sakakibara, para dizer que as reformas estruturais que estão sendo feitas nos dois países são inúteis se o Japão não impedir a desvalorização do iene. E que uma nova crise monetária na região poderá ocorrer nos próximos meses.
Na semana passada, durante visita a Tóquio, o ministro de Finanças da Tailândia, Tarrin Nimmanahaeminda, disse que a estabilização do câmbio e da Bolsa do país, obtida com muito sofrimento nos primeiros meses de 1998, pode ‘‘ser destruída por causa da política do Japão de impulsionar suas exportações desvalorizando o iene’’.
Segundo o ministro, a situação da economia na Ásia é mais incerta que a de 1997. ‘‘Podemos dizer que, no ano passado, a crise explodiu nos países onde não havia equilíbrio fiscal e monetário. Agora é diferente. Se uma grande desvalorização ocorrer, mesmo os países que reformaram sua economia vão ser afetados’’.
No Japão, um debate velado está sendo travado entre o governo e vários setores da economia sobre se o governo deve ou não intervir no mercado. Publicamente, as autoridades repetiram a mesma coisa que dizem há dias. Segundo o ministro de Finanças, Hikaru Matsunaga, ‘‘o Japão está preocupado com a cotação do iene e irá agir quando for necessário’’ - ele não disse quando e nem de que forma.
No último dia 9 de abril, o Japão interveio fortemente no câmbio, pedindo ao Fed (banco central norte-americano) que trocasse, em nome do governo de Tóquio, US$ 500 milhões de dólares por ienes. Naquele dia a moeda japonesa valorizou-se 0,7% e esperava-se uma continuidade das intervenções. Mas uma intensa polêmica interna fez o primeiro-ministro Ryutaro Hashimoto recuar.Robyn Bech/France PresseRara descontraçãoOperador da Bolsa de Hong Kong lê noticiário sobre vitória do Brasil na Copa: como nos demais mercados asiáticos, dia de frustração e queda nas cotaçõesAgência Folha

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