Começou novamente. Uma desilusão generalizada com a capacidade do novo governo japonês de tirar o País de sua crise econômica provocou ontem uma forte desvalorização do iene, derrubando mais uma vez todos os mercados asiáticos e ameaçando a já complicada saúde financeira dos países da região.
No final da tarde o valor da moeda caiu para 145,6 por dólar, o mais baixo desde 17 de junho passado, quando uma intervenção conjunta dos Estados Unidos e do Japão brecaram um processo de desvalorização que parecia irreversível. Naquele dia o valor do iene havia atingido 146,7, o mais baixo nos últimos oito anos.
A intervenção de junho deu certa tranquilidade à região, mas uma nova turbulência pode estar se aproximando. ‘‘Acho que a desvalorização recomeçou e o iene vai atingir seu valor mais baixo no ano até o final de agosto’’, disse Tetsuhisa Hayashi, do Banco Tokyo-Mitsubishi. O mercado de ações sentiu imediatamente os efeitos da queda do iene. A Bolsa de Hong Kong caiu 4,6%. A de Seul, 2,4% e a de Bancoc, 2%. O índice Nikkei da Bolsa de Tóquio desvalorizou-se 1,3%.
O valor do iene já vinha caindo desde quarta-feira passada mas a tendência começou a ficar mais evidente na sexta, depois de declarações desastrosas do novo ministro de Finanças japonês, Kiichi Miyazawa. Segundo o ministro - um político experiente e polêmico -, os Estados Unidos e o Japão não deveriam intervir no câmbio e na Bolsa.
Ainda na sexta-feira Miyazawa tentou consertar o problema que havia criado, dizendo que era favorável a intervenções quando elas fossem necessárias. Mas o esforço revelou-se inútil. O impacto do iene sobre os mercados da região resulta da importância do Japão no comércio asiático - cerca de 70% das operações comerciais feitas na região passam pelo país. Com um iene desvalorizado, os produtos japoneses ficam baratos e mais atraentes que os de seus vizinhos. Os países mais afetados são a Coréia do Sul - cujos principais produtos (semicondutores, automóveis e aço) competem com os do Japão - e a China, cuja moeda não sofreu desvalorização durante a crise asiática e, por essa razão, sofre enormes pressões.
Apesar do pessimismo da maioria dos investidores, muitos alertam que os Estados Unidos não deixarão a moeda japonesa atingir o valor de 150 por dólar, apesar de o governo de Washington ter afirmado, em junho, que a intervenção dificilmente se repetiria.

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