O iene desvalorizou-se novamente ontem, atingindo seu valor mais baixo desde 20 de agosto de 1990, há oito anos. A moeda japonesa foi cotada a 147,6 por dólar, ultrapassando o patamar de 146,7 por dólar em que se encontrava em 17 de junho passado, dia em que os Estados Unidos e o Japão decidiram intervir conjuntamente no mercado em nome da saúde da economia mundial.
A queda do iene derrubou todas as Bolsas e aumentou ainda mais a especulação de que, se não houver uma nova intervenção no mercado, o governo da China poderá desvalorizar sua moeda, o yuan. Cresce também a especulação de que o novo governo do Japão, liderado pelo primeiro-ministro Keizo Obuchi, poderia estar tentando manter o iene estabilizado mas desvalorizado, num patamar bom para as exportações do país mas ruim para o mundo.
Oficialmente, as autoridades japonesas disseram repudiar a desvalorização do iene e ameaçaram intervir. ‘‘Uma desvalorização maior do iene é indesejada e nossa decisão de tomar as medidas apropriadas permanecem inalteradas’’, disse o porta-voz do Ministério de Finanças. Os investidores não se sentiram ameaçados.
Foi um dia de recordes negativos para a economia da região. Principalmente para o mercado de ações, que vem caindo quase que diariamente há mais de uma semana e que parece não encontrar um ‘‘chão’’. A Bolsa na Malásia despencou 5,3%, chegando ao seu nível mais baixo dos últimos nove anos. Nas Filipinas e em Cingapura as Bolsas caíram 3,8% e 3%, respectivamente, atingindo os valores mais baixos em cinco e em dez anos. Em Hong Kong, a queda foi de 3,6%, para seu patamar mais baixo em cinco anos. Em Jacarta, Indonésia, a Bolsa fechou em baixa de 3,3%. A Coréia do Sul teve queda moderada, de 0,2%.
A Bolsa de Tóquio caiu 1,4% num circulo vicioso. A desvalorização do iene foi inicialmente causada pela queda das ações das instituições financeiras, mas, durante a tarde, passou a acelerar a queda da Bolsa. Um iene desvalorizado inflaciona a carteira de créditos podres em dólar dos bancos japoneses dentro dos balanços dessas instituições. Em suma: uma valorização de 10% do dólar frente ao iene faz com que o tamanho do ‘‘buraco’’ em dólar no balanço de um banco cresça 10%.

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