Uma nova desvalorização da moeda japonesa, o iene, que ontem perdeu mais 1,30% em relação ao dólar norte-americano, fechando em 146,20 em Nova York, agravou a situação dos mercados de câmbio e ações em todo o mundo, e fez soar o alarme também na China. A perspectiva de uma crise generalizada provocou vendas de ações em todo o mundo e uma queda generalizada nos índices das principais bolsas de valores. No Brasil, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em queda de 5,33%, acumulando desvalorização de 7,85% no mês. No Rio, a bolsa teve baixa de 3,97%.
A queda na Bolsa de Tóquio, contudo, foi de apenas 1,31%. Mas as demais bolsas asiáticas repetiram o comportamento de sexta-feira e reagiram em cadeia ao enfraquecimento do iene: queda de 5,72% em Hong Kong, 4,82% na Coréia e 5,72% na Tailândia. Na Europa, a baixa foi de 1,62% em Londres, 2,26% em Frankfurt e 1,80% em Paris.
No Brasil, adicionou-se o resultado de uma pesquisa indicando empate técnico entre Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também no segundo turno das eleições presidenciais, complicando o cenário, do ponto de vista dos investidores.
A estagnação da economia japonesa prejudicou a moeda do país no mercado mundial e fez os ativos denominados em ienes ficarem menos atraentes. Isso, consequentemente, levou os investidores institucionais a aplicar em dólares para obter maior rendimento antes de a moeda japonesa atingir o fundo do poço, explicam os analistas.
Esse movimento, porém, vem tornando o Japão mais vulnerável e incapaz de comandar o processo de retomada do crescimento na região, como esperavam os organismos multilaterais, como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e os líderes dos países industrializados.

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