Iedi defende imposto menor contra gargalos
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quarta-feira, 01 de setembro de 2004
Agência Estado 
Brasília - diretor-executivo do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), Júlio Sérgio Gomes de Almeida, defendeu ontem a criação de uma política governamental para evitar gargalos produtivos na indústria brasileira. ''Uma idéia seria a redução da cobrança de impostos para companhias que antecipassem projetos de investimento'', afirmou, em apresentação durante o 18º Congresso de Mercado de Capitais. Segundo ele, os segmentos de Borracha, Têxtil, Química e Petroquímica, Refino, Siderurgia e Celulose já estão enfrentando gargalos produtivos.
Em sua palestra, que discutiu competitividade, política industrial e inserção internacional, Almeida defendeu a inovação tecnológica das exportações. ''No primeiro semestre deste ano, apenas 21% do crescimento das vendas externas, que foi de 30%, veio de setores de média e alta tecnologia.'' De acordo com ele, a tecnologia é essencial para a manutenção dos exportadores brasileiros no cenário mundial.
O diretor também afirmou que, apesar do crescimento das vendas externas, o Brasil ainda ocupa a 32 colocação no ranking de exportadores mundiais. ''Temos de pensar em uma inserção maior do Brasil, e isso passa pela produtividade microeconômica e também sistêmica.'' Segundo Almeida, um estudo do Iedi indicou a estabilização da produtividade da indústria nacional de 1999 até agora. ''Nossa inserção no mundo depende da melhoria deste indicador'', afirmou.
''Apenas neste semestre, houve um aumento muito forte da produtividade, o que talvez indique um limiar nesse ponto.'' Na opinião de Almeida, o Brasil precisa indicar claramente como conduzirá seu crescimento econômico entre 2004 e 2005. Para ele, essa sinalização aos investidores externos dará mais condições para o crescimento da nossa competitividade sistêmica do País.
O diretor defendeu também a redução da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) para pelo menos 5%, se o governo quiser realmente incentivar o investimento produtivo no País. A TJLP está hoje em 9,75% ao ano. Segundo Gomes de Almeida, a definição da TJLP também não pode ser baseada na evolução do risco País, como ocorre hoje. ''A TJLP não tem nada a ver com o risco Brasil'', criticou.
Pela sistemática atual, essa taxa é fixada a cada três meses pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), com base numa combinação da meta de inflação pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 12 meses e do risco País.


