Idosos ampliam espaço no mercado de trabalho
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sexta-feira, 30 de setembro de 2011
Aline Vilalva <br> <br> Reportagem Local 
Aposentada há sete anos pelo Consórcio Intermunicipal de Saúde do Médio Paranapanema (Cismepar), onde trabalhou por 20 anos, Odete Gonçalves Marques, 70, se mantém no mercado de trabalho e com sua renda, ajuda o esposo nas despesas da casa. ''Meu salário é muito importante para o orçamento familiar'', afirma. Ela trabalha há 11 anos em um hipermercado da avenida Duque de Caxias, em Londrina, sendo que há oito exerce a função de balconista.
''Não quis ficar parada porque trabalhar, para mim, é viver, é uma terapia'', diz. Somando o valor da aposentadoria ao salário extra, Odete ajuda a pagar as contas de casa e também contribui com o plano de saúde de sua mãe, remédios e impostos. ''Meu esposo também é aposentado e continua trabalhando em um mini-sacolão que nosso filho montou para nós. O lucro, no entanto, é inferior ao que ganho no hipermercado'', compara.
O exemplo de Odete é o mesmo de muitos aposentados que voltam ao mercado de trabalho para ocupar o tempo e complementar a renda da família. Além da motivação econômica, eles se mantém produtivos. Tanto é assim que a participação de idosos no mercado de trabalho cresce significativamente, principalmente em grandes centros urbanos, conforme aponta o diretor de Estatística do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), Daniel Nojima.
Segundo as pesquisas mensais de emprego realizadas na Região Metropolitana de Curitiba pelo Ipardes, em conjunto com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2003, pessoas de 50 anos ou mais que tinham trabalho representavam 14,3% do total de trabalhadores. Em 2010, esse número subiu para 19,5%, uma expansão de 24% no comparativo dos sete anos. Já entre a população idosa (acima de 60 anos), o crescimento foi de 68%. ''É um retrato pequeno do que certamente está se repetindo em vários lugares do País, principalmente nas áreas metropolitanas'', observa Nojima.
O diretor credita o fato à dificuldade do sistema previdenciário em aumentar as aposentadorias e também ao crescimento da economia brasileira, verificada principalmente a partir da década de 2000, ''o que deu oportunidade para mais pessoas, inclusive as de mais idade, entrarem no mercado de trabalho, conseguirem efetivamente estar empregadas para completar a renda''.
Outro aspecto citado por Nojima é o processo de envelhecimento pelo qual a população está passando. ''Naturalmente ocorre uma pressão maior sobre o mercado de trabalho e abre, justamente, oportunidade para pessoas de faixa etária mais avançada'', acrescenta. Para o diretor, se a economia continuar crescendo a taxas um pouco maiores do que as observadas até os anos 1990, a tendência é que o percentual de idosos no mercado de trabalho também aumente.
Dados da Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios (Pnad), do IBGE, em 2006 o Brasil somava 5.871 milhões de pessoas ocupadas com 60 anos ou mais (6,62% da população). Em 2009, esse número subiu para 6.362 milhões (6,86%). O Paraná, por sua vez, tinha 367 mil idosos com ocupação em 2006 (6,8%) e 397 mil em 2009 (7,14%).
Segundo o Censo 2010, o Paraná conta com 1.170.995 pessoas com mais de 60 anos, o que corresponde a 11,21% da população. De acordo a Previdência Social, deste total, 494.030 estão aposentados por idade e recebem mensalmente um total de R$ 298 milhões. Curitiba tem 198 mil idosos, sendo 40.557 aposentados por idade e em Londrina são 17.049 do total de 65 mil idosos - 12,72% da população.


