O Ministério da Agricultura identificou ontem mais cinco focos de febre aftosa no Rio Grande do Sul, chegando agora a dez o número de localidades onde existe o vírus da doença (nove no município de Jóia e um em Eugênio de Castro). Segundo a chefe do Departamento de Defesa Animal do Ministério da Agricultura, Denise Euclides, está laboratorialmente confirmada a existência em apenas quatro desses dez focos, todos no município de Jóia.
A existência de mais cinco focos de febre aftosa foi confirmada hoje pela manhã e já foi incluída na Nota Técnica que o Ministério das Relações Exteriores começa a divulgar para suas embaixadas e parceiros comerciais brasileiros, como Estados Unidos e países da União Européia, com informações sobre todas as medidas adotadas para combater a febre aftosa.
De acordo com a Nota Técnica, de seis páginas, já foram sacrificados 442 bovinos, 53 suínos e 22 ovinos. A Nota informa que está previsto o sacrifício de outros bovinos. O documento deixa claro que a produção de origem do Estado de Santa Catarina embora tenha perdido temporariamente o status de zona livre de aftosa com vacinação, não tem restrições, porque é uma área onde não há ocorrência de focos dessa febre.
Ontem, o ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, discutiu o problema da febre aftosa durante cerca de três horas com quinze secretários estaduais de agricultura. Segundo o ministro, a partir de outubro o governo vai liberar mais recursos para o combate a febre aftosa. Os repasses, conforme Pratini, não podem ocorrer no momento em função da legislação eleitoral, que impede a transferência de dinheiro para os Estados.
Na reunião, conforme o ministro, houve unanimidade sobre a necessidade de fortalecer os mecanismos de combate à febre aftosa e de uma cobrança mais efetiva da vacinação. Pratini disse que desconhece a informação contida em tabela preparada pela assessoria do PT, com base em dados da Comissão Mista do Orçamento, de que o governo teria deixado de liberar 89% da verba prevista no Orçamento vigilância sanitária no período de 1995 a 2000. ‘‘Não conheço a nota. Eles (o PT) fazem notas estranhas e essa deve ser uma delas’’, afirmou.
A origem da febre aftosa e a adoção de medidas para enfrentar o problema levaram Pratini e o secretário da Agricultura do RS, José Hermeto Hoffmann a trocar acusações em entrevistas separadas e em momentos distintos. O ministro disse que durante a reunião com os secretários estaduais de Agricultura houve uma queixa em relação à demora do Rio Grande do Sul em tomar as medidas necessárias para enfrentar o problema. Hoffman, ao sair da reunião, culpou o governo federal pelo atraso e disse que o Estado foi comunicado da existência do foco da febre aftosa pela imprensa. ‘‘É mentira!’’, disse o ministro Pratini de Moraes. ‘‘Ele foi informado no mesmo dia, assim que recebemos a confirmação laboratorial’’, acrescentou. Hoffmann explicou que a comunicação deveria ter sido feita 16 dias antes, quando começaram a morrer os primeiros ratos inoculados com o vírus. Pratini retrucou: ‘‘Mas eles sabiam disso. Quem faz o trabalho todo é o Rio Grande do Sul. Não agiram por quê?’’

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