Identidade regional valoriza as peças
Em todas as partes do País é possível encontrar produção artesanal diversificada, feita com matérias-primas regionais e com técnicas específicas que variam de acordo com a cultura e o modo de vida do povo de cada localidade. Esses contrastes, além de tornarem o artesanato ainda mais rico, criam uma marca de identidade nacional. Essas referências regionais são muito valorizadas por um mercado externo globalizado.
Os trabalhos de Sheila Dias de Souza, que estão percorrendo as escolas de design de Itália, retratam os índios kaingangues, guaranis e xetas. Usando apenas papel jornal, cola e tinta, ela faz os rostos dos índios que acabam de ganhar espaço na Galerie La Palette, na França. Formada em Educação Artística e com mestrado em Design, Sheila usa a palavra, a imagem e a informação visual para compor suas peças.
A criatividade dos produtos expostos não encontra limites na imaginação de Sueli Bertolazi, que além das galinhas, faz origames de tecidos. ''Sou artesã desde os 8 anos. Nesta idade já fazia minhas bonecas de pano usando meias. Também construi uma casinha de sapê'', conta a artesã, que já viajou e viveu em vários Estados brasileiros. ''Fui pegando o colorido de cada lugar, a alegria e a criatividade para criar meu próprio trabalho. Por isso digo que aqui tem também o meu DNA'', diz Sueli, que vende seus produtos na feira de artesanato ''Feito à Mão'', que é realizada aos domingos no Calçadão.
Os artesãos Dionizio Panchoni e Ermelindo Divino Alves colocaram toda sua habilidade e sensibilidade artística para produzir peças em madeira. Eles fazem pequenas caixas e baús, que além de utilitários servem como decoração. ''Sou arteiro'', brinca Ermelindo, que era marceneiro. ''Meu forte é torno e procuro aplicar essa prática nas minhas peças''. Para ele, a feira Maison & Objet abriu as portas para os artesãos brasileiros. Alves usa madeiras em extinção como a peroba e gurucaia para produzir as peças.
Panchoni usa a técnica de marcheteria, trabalho que consiste em aplicar peças recortadas de madeira, marfim e outros materiais de diversas cores sobre a peça de marcenaria. ''Trabalhei numa fábrica de móveis por muitos anos, mas há pouco tempo comecei na marcheteria como hobby'', conta. Ele trabalha com madeiras nobres para produzir os trabalhos, que tiveram bastante aceitação na França. ''A França é considerada o berço da falsa marcheteria, por isso gostam tanto do nosso trabalho''.
A riqueza do artesanato é vasta no show-room da Associação de Artesanato e Estilo (Artest). A artesã Rosy Bandeira recicla o couro transformando o material em caixas, molduras de espelho e almofadas de jardim. A arquiteta Priscilla Antonielli faz móbiles com EVA e papel machê, criando peças que foram bastante apreciadas na feira francesa. (V.B)





