Entre os 18 e 24 anos a cabeça dos jovens borbulha de ideias. É nesta fase que eles entram para a universidade e também podem se transformar em grandes empreendedores. Tanto é verdade que a pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM) 2008, aponta que nessa idade no Brasil, 15% empreendem, o equivalente a 3,82 milhões de pessoas. Para se ter uma idéia do crescimento, a taxa média de empreendedorismo jovem entre 2001 e 2008 ficou em 11,9%. Do total de empreendedores brasileiros, 25% são jovens, o que coloca o País em terceiro lugar no ranking mundial, atrás apenas do Irã (29%) e da Jamaica (28%).
Exemplos de empreendedorismo estão por todos os cantos do Brasil. Em Londrina, dois jovens engrossam a pesquisa fabricando bolsas de narguilé - cachimbo de água. Os amigos Luiz Felipe Pinto Mello, 24, e Luiz Fernando Romanoviski Malko, 19, transformaram uma ideia em negócio e estão colhendo bons resultados. Adeptos do narguilé, eles começaram a fazer bolsas para carregar o acessório quase por acaso e hoje comercializam em quase todos os Estados.
Os rapazes iniciaram a atividade há quase dois anos, mas já visualizam outros nichos de atuação. Eles decidiram expandir a atividade e apostar em novos modelos: bolsas para laptop e de praia, além de sacola retornável e porta chinelos. Tudo feito com nylon 600 e costurado na máquina reta industrial.
Para consultores do Sebrae, é nessa fase da vida (entre 18 e 24 anos) que o jovem desenvolve as chamadas competências duráveis, as quais serão importantes para sempre como, liderança, decisões, facilidade para administrar conflito e lapidar conhecimento. ''É um momento ímpar, onde o jovem como empreendedor corre menos riscos'', afirmou o presidente do Sebrae Nacional, Paulo Okamoto, em recente coletiva no Rio de Janeiro.
Nessa idade, complementa o consultor do Sebrae em Londrina, André Basso, o jovem consegue fazer muitas coisas. ''Ele está menos expostos aos riscos, até porque, provavelmente, ainda não tem filhos ou outros gastos que normalmente as pessoas numa faixa mais elevada têm (financiamentos, prestações...). Por esses motivos, estatisticamente, a fase de maior risco para se empreender é na faixa dos 35 aos 45 anos.
A pesquisa GEM trouxe ainda outros dados curiosos. Ela diferenciou os empreendedores em função de sua motivação para desenvolver um negócio próprio. O objetivo foi verificar se as iniciativas empreendedoras decorrem de oportunidades de negócios, sobre esse aspecto está inserido também o espírito empreendedor, ou se estão relacionadas à falta de opção no mercado de trabalho. Tem-se, portanto, as taxas de empreendedorismo por oportunidade e por necessidade.
Constatou-se que 68% dos jovens empreendem por oportunidade e 32% por necessidade. ''O empreendedor que se movimenta por oportunidade tem mais chances de dar certo, ele vai empreender em coisas novas que o mercado precisa'', opina André Basso. ''Por necessidade, os empreendedores acabam fazendo coisas que outros são capazes também. Ou seja, não será o único com aquele negócio'', completa.
A alta taxa de jovens empreendedores detectada na pesquisa aponta a importância de ações específicas para o grupo. Para Paulo Okamoto, aumentar a massa de empreendedorismo inovador é um desafio para o Sebrae. Ele destaca a sintonia do órgão na criação de produtos para esse público, como o jogo virtual Desafio Sebrae, que incentiva o empreendedorismo entre universitários por meio da gestão de uma empresa virtual. ''Essa é uma forma de disseminar o ingresso do jovem na sociedade produtiva'', observa.

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