O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) encaminhou à Câmara de Gestão da Crise de Energia Elétrica estudo para mostrar que as tarifas residenciais subiram mais do que as industriais e comerciais. A intenção é pressionar o governo para evitar aumentos extras nas contas de luz dos consumidores.
No documento, o Idec menciona números da própria Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). De janeiro de 95 a junho deste ano, o aumento médio acumulado da tarifa residencial foi de 129,85%, enquanto o da tarifa geral foi de 99,85%. Nos setores industrial e comercial, os reajustes foram de 77,49% e 73,61%, respectivamente.
As altas superaram a inflação registrada no mesmo período (72,75%), de acordo com o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), medido pelo IBGE. ''As concessionárias querem reajustes extras, após aumentar as tarifas acima da inflação'', afirma Maria Inês Dolci, advogada do Idec.
Pelo estudo do Idec, o que também pesou no aumento das tarifas para os consumidores foi a retirada progressiva de descontos nas tarifas cobradas das residências durante a década de 90.
As concessionárias querem os reajustes. Elas alegam que precisam ser reembolsadas em cerca de R$ 6 bilhões por causa do racionamento de energia, que resultou em queda de faturamento e aumento de gastos, informam.
''O reajuste tem de sair o mais rápido possível'', afirma Júlio de Barros, diretor-presidente da Bandeirante, que fornece luz para 1,2 milhão de consumidores em São Paulo.
Segundo ele, a Bandeirante aumentou em cerca de 16% as contas cobradas dos clientes neste mês. O último reajuste havia ocorrido há um ano. Os aumentos de tarifas são autorizados pela Aneel.
Pelo levantamento da Fipe, a tarifa de energia subiu mais do que a inflação. De 1º de outubro a 30 de setembro, a conta de luz subiu 27,38%. A inflação geral foi de 5,66% no período. A Eletropaulo aumentou em 16,61% as tarifas em junho. A CPFL reajustou em 17,13% em abril.

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