A taxa de inadimplência do brasileiro tem aumentado nos últimos anos, chegando a 7,2% nos primeiros meses de 2006 (só para se ter uma idéia, há um ano, a taxa era de 5,9%). Entre os devedores, os que possuem dívidas com cartões de crédito e financeiras são os mais representativos, sendo responsáveis por 33,6% do total de débitos não pagos em agosto, segundo o Indicador Serasa de Inadimplência de Pessoa Física.
Ao cobrar juros mensais - que estão entre os mais altos do mercado - a indústria do ''crédito fácil'' cresce a cada ano. Em apenas seis meses - entre dezembro de 2005 e junho de 2006 -, por exemplo, o saldo do crédito pessoal aumentou cerca de R$ 10 bilhões, passando de R$ 63,4 bilhões para R$ 73,035 bilhões.
Frente a essa realidade, o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) realizou uma pesquisa, na cidade de São Paulo, com as principais empresas de empréstimo de dinheiro a juros e foi constatada uma série de problemas. Desde informações incompletas prestadas por funcionários com relação a taxas, contrato e até a prática de juros diferentes por lojas da mesma rede.
Com relação à antecipação do pagamento de parcelas, todos informam que há desconto. Mas algumas empresas afirmam que só é possível saber qual o desconto no momento da quitação - já que o valor é proporcional aos dias/meses que faltam para o final do contrato -, enquanto outras informam que são descontados todos os juros das parcelas.
Apesar de o Código de Defesa do Consumidor (CDC) afirmar que ''é assegurada ao consumidor a liquidação antecipada do débito, total ou parcialmente, mediante redução proporcional dos juros e demais acréscimos'' (art. 52), na prática, o que acontece é bastante diferente.
É bom lembrar que o consumidor deve, sempre , ter acesso à ''informação adequada e clara sobre os diferentes produtos e serviços'' (CDC, artigo 6º).
ALGUMAS DICAS
- Se precisar contrair empréstimos, não recorra às financeiras, pois elas cobram juros muito acima dos praticados no Crédito Direto ao Consumidor, oferecido por bancos aos seus clientes (juros mensais médios de 3,9%);
- Caso queira comprar bens, avalie a urgência da aquisição. Se não houver necessidade imediata, uma aplicação na poupança, mesmo com um rendimento baixo - cerca de 6% ao ano -, é mais vantajosa do que arcar com 8,5% de juros mensais (média das taxas cobradas pelas financeiras).
- Caso a opção pelas financeiras seja a única saída, pesquise em todas as lojas possíveis e pechinche, pois muitas cobrem os orçamentos das outras.
Mais informações: www.idec.org.br
(*)O Idec é uma associação independente e sem fins lucrativos, que há 19 anos defende os direitos dos consumidores. Informações: (11) 3874-2152- www.Idec.org.br.

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