São Paulo - Após sofrer a resistência da sociedade, os preservativos se consolidaram como a arma mais eficaz na prevenção de doenças sexualmente transmissíveis, como a aids. O consumo da ''camisinha'' aumentou significativamente nos últimos anos, principalmente na época do carnaval, e sua segurança melhorou muito hoje em dia. Porém, o consumidor ainda não está livre de outra ameaça: a falsificação dos produtos.
Em 2001, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciou a interdição e apreensão de cópias falsificadas do preservativo Jontex Lubrificado, fabricado pela empresa Johnson & Johnson. A camisinha fraudada apresentava características diferentes do produto original, a exemplo da cor contrastante da caixa do preservativo e a ausência de informações no seu envelope plástico.
Um ano depois, nova falsificação divulgada pela Anvisa. Desta vez, da marca Olla, produzida pela Indústria Nacional de Artefatos de Látex (Inal). A Agência também determinou a apreensão da cópia falsa do produto, lote 210102-M3. O esquema foi descoberto após a denúncia de um consumidor à Inal, relatando que a camisinha do lote alterado tinha se rompido.
Em janeiro passado, mais uma outra ocorrência. Desta vez, envolvendo o preservativo Falcon dos times de futebol Flamengo, Corinthians, Palmeiras e São Paulo, também fabricado pela Inal. As cópias que tentavam imitar o produto original apresentavam o mesmo número de lote, 06 06 02-MD, o que as caracterizava como falsas.
Difícil de reconhecer
Não existe um padrão de falsificação comum. Segundo a assessoria de imprensa da Anvisa, as diferenças entre o produto original e o fraudado geralmente são sutis, vão desde a cor do preservativo até o picotado da embalagem e o número de lotes igual. A exemplo do caso da Olla, a ajuda do consumidor é fundamental para desvendar essas falsificações. Além das características citadas acima, conforme orientação da Agência, desconfie de erros de português e de embalagens cuja qualidade é inferior a normalmente encontrada no mercado. Os preservativos fraudados representam uma ameaça à saúde dos usuários, uma vez que podem se romper durante a relação e não contam com a mesma garantia de qualidade oferecida pelo fabricante original.
Também fique atento a outras recomendações:
- Não compre produtos em feiras livres, mercados pequenos ou camelôs. A incidência de preservativos falsificados aumenta nesses locais. Exija sempre a nota fiscal. É a sua garantia em caso de problemas.
- Observe se a embalagem não está violada. Dê preferência para as camisinhas lubrificadas porque o risco de ruptura é menor.
- Só compre produtos que tenham o selo de certificação do Inmetro e confira a data de validade. Normalmente os preservativos valem por três anos.
- Leia as instruções contidas na embalagem. É muito importante saber colocar bem a camisinha para evitar que ela se desprenda ou rompa durante o ato sexual.
Você sabia?
Desde 1990, o Idec acompanha a qualidade dos preservativos no Brasil. Em 1992, em conjunto com outras entidades da Consumers International, o instituto realizou um teste com sete marcas de camisinhas; cinco delas foram consideradas inadequadas. O resultado impulsionou a mudança da regulamentação técnica dos preservativos no país. Outros testes foram feitos, em 1996 e em 2000. Ambos também propiciaram melhorias para a qualidade dos produtos, que pôde ser constatada na avaliação de 2000: Das 17 marcas brasileiras testadas apenas uma apresentou problemas de segurança. Saiba mais no site do Idec (http://www.idec.org.br/paginas/emacao.asp?id=557)
A quem recorrer
Se você desconfiar que a camisinha é falsa, denuncie à Anvisa pelo telefone: 0800-703-6363.
(*) O IDEC é uma associação independente e sem fins lucrativos, que há 16 anos defende os direitos dos consumidores. Informações: (0xx11) 3874-2152 / www.idec.org.br.

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