Uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) sobre pacotes/cestas de serviços bancários mostrou que a diversidade de denominações e de formas de cobrança são entraves para uma escolha mais econômica e racional do usuário. Além disso, o Idec considera que, no próprio pacote, deveria ser obrigatória a informação do valor de cada transação excedente, o que metade dos bancos avaliados não faz. O levantamento observou quanto gasta um usuário com um determinado perfil de movimentação de conta em oito bancos: Caixa Econômica Federal, Itaú, Bradesco, Banco do Brasil, Unibanco, Banco Real, HSBC e Santander.
Todos eles possuem pelo menos três opções de pacotes, à exceção do Bradesco, de modo que o usuário precisa prestar muita atenção sobre o que realmente utiliza, sob pena de acabar escolhendo um pacote mais caro. Os pacotes ou cestas de serviços são produtos oferecidos pelos bancos, nos quais são inclusos os serviços mais básicos de movimentação de conta, tais como retiradas, depósitos e emissões de extratos. O consumidor, obrigatoriamente, tem que fazer a escolha de um desses pacotes. Mas se ele precisar de serviços excedentes, é preciso ficar atento ao valor cobrado.
A pesquisa definiu um perfil de usuário que, mensalmente, movimenta a sua conta da seguinte maneira: três saques no guichê da agência, três saques em caixa eletrônico e oito em quiosques; seis extratos impressos; emissão de seis cheques, sendo quatro no valor de R$ 25,00, e a sustação de dois cheques (um evento); dois DOCs via agência; depósito de seis cheques; utilização de bankfone (com atendente) e bankline. Esse perfil foi adotado por representar um usuário que ainda não faz uso pleno dos serviços bancários disponíveis na internet, porque não sabe ou não confia nesse meio para realizar as operações. Esse usuário ainda é muito comum.
Para a comparação entre as instituições financeiras, o Idec selecionou dois pacotes em cada banco, sendo um deles o mais barato, com fornecimento de talões de cheques e o mais próximo ao perfil de movimentação estipulado. No caso do Bradesco, havia apenas um pacote disponível com fornecimento de cheques. Tarifas excessivamente caras, limitações de serviços e modos de cobrança pouco claros demonstram as estratégias dos bancos para lucrarem o máximo possível com tarifas de serviços básicos, aponta a pesquisa. A taxação do uso dos caixas eletrônicos em quiosques (caixas que estão em locais de grande movimentação) é um exemplo disso, como o fazem Itaú (no pacote Simples), Santander (no pacote Especial) e Unibanco (no pacote Básico).
A pesquisa verificou que tanto no auto-atendimento dentro da agência como nos quiosques, os bancos taxam as operações após o cliente ultrapassar a quantidade estipulada no mês. O Banco Itaú, por exemplo, na sua opção mais barata, limita a quantidade de seis saques no auto-atendimento em agência e nenhum saque nos quiosques. Já no pacote Total estipula um número de vinte saques, que podem ser tanto no caixa eletrônico da agência como nos quiosques. A cobrança por esse tipo de operação, hoje, essencial e totalmente automatizada, não deveria ocorrer. Somente o HSBC e a Caixa Econômica Federal não cobram os saques de seus clientes nos pacotes analisados.
Um fator que dificulta o controle do consumidor sobre seus gastos com a conta é que os bancos cobram pelos serviços e transações excedentes de formas diferentes. Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, HSBC e Santander cobram cada transação excedente pelo valor estipulado na Tabela Geral de Tarifas Avulsas. Já Bradesco, Itaú, Real e Unibanco estipulam para os serviços excedentes a cada pacote, tarifas que são diferentes das tarifas avulsas por eles praticadas.
O fato de apenas a metade dos bancos avaliados definir claramente o valor de uma transação excedente deixa clara a falta de uniformidade e transparência. O Idec entende que ao contratar o pacote, o consumidor deve saber exatamente quanto deverá pagar a mais por transação excedente.

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