São Paulo - Embora o consumo de peixe seja pequeno no Brasil, o excesso de água no produto representa um verdadeiro crime contra a economia popular. Em fevereiro deste ano, o Idec revelou em teste exclusivo que o consumidor estava pagando por uma quantidade excessiva de água presente nas aves congeladas. Em parceria com o Instituto de Pesos e Medidas de São Paulo (Ipem-SP), foi feito, entre os meses de julho e agosto últimos, um teste com a mesma finalidade, em peixes congelados.
O resultado foi até mais espantoso do que com o frango: nos pescados congelados, o peso da água pode representar até 43,1% do peso total do alimento. Para se ter uma idéia do que isso representa em prejuízo ao consumidor, em quase 1 kg de cação em posta, por exemplo, ao preço de R$ 8,90, pode se estar pagando R$ 3,83 pela água.
Das 12 variedades de peixes congelados comercializados em supermercados da Grande São Paulo - oito da indústria pesqueira e quatro de supermercados que compram o produto a granel e o embalam na ausência do consumidor -, dez possuíam mais água do que o razoável. Apenas quatro traziam uma rotulagem adequada e metade dos produtos ultrapassou os níveis de água admitidos legalmente no glaciamento (processo industrial que protege o peixe, evitando oxidação e ressecamento).
Metade dos produtos foram reprovados no desglaciamento, por conter mais água do que o tolerado pela Portaria nº 096/00 do Inmetro. No teste de descongelamento total, apenas dois produtos (filés de merluza da Pescal e da Bom Peixe) apresentaram perda de peso inferior a 15% do peso total do produto. Todos os outros dez (83,5%) possuem um peso de água além do que seria admissível esperar. As amostras reprovadas são: filé de merluza e de pescada Costa Sul; filé de pescada Pescal; filé de merluza e de pescada Leardini; filé de pescada Bom Peixe; posta de cação dos hipermercados Wal-Mart, Comprebem, Extra e Carrefour.
- Fabricantes
Apenas duas empresas se manifestaram a respeito do teste: o Grupo Pão de Açúcar informou que tomará medidas para resolver as questões referentes à quantidade de água junto aos fornecedores; a Leardini Pescados Ltda informou que, além de possuir um rigoroso controle de qualidade dos produtos, jamais recebeu reclamações de estabelecimentos e consumidores e ainda alega que o descongelamento total do peixe não é o melhor método para aferir a quantidade de água, pois ele provocaria a perda de ''água estrutural'', isto é, componente do próprio alimento.
O Idec levou em consideração no teste a perda normal de água do pescado. A indústria afirmou ainda que ao chegar a seu destino final, a responsabilidade passa a ser do estabelecimento comercial. Todavia, o CDC responsabiliza solidariamente os fornecedores por vícios apresentados em produtos e serviços (art. 19).

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