IDEC - Instalação elétrica é questão de segurança
São Paulo - De cada quatro casas paulistanas, três têm problemas com a instalação elétrica. Segundo o Corpo de Bombeiros de São Paulo, em 2003, foram 1.954 ocorrências de incêndio causadas por instalação inadequada e 21 por superaquecimento de equipamentos. ''Um simples curto-circuito já pode causar uma tragédia'', afirma o capitão Nilton Miranda, chefe da Seção de Legislação e Análise do Departamento de Segurança contra Incêndios.
Os cuidados com alguns detalhes podem fazer a diferença. De maneira geral, em construções novas, ligações erradas podem sobrecarregar um circuito. Já em edifícios antigos, os projetos elétricos são inadequados para a demanda dos dias atuais, em que se usam muito mais aparelhos elétricos.
Para evitar acidentes, o Idec explica os termos técnicos e dá dicas.
- Fiação
É a alma da instalação, por onde passa toda a corrente. A concessionária de energia normalmente fornece três fios: dois chamados fase, por onde entra a corrente, e um neutro, por onde ela sai. Há também o de dois fios e o fio terra. O fio deve ter a espessura adequada à corrente que vai passar por ele e à distância que ele irá percorrer.
- Aterramento
Todo aparelho elétrico tem o fio terra, que, como diz o nome, tem uma ponta ligada ao solo e outra à sua carcaça. Se houver fuga de corrente para essa estrutura, o fio conduz a energia para que ela não atinja o usuário.
- Tomadas
Aparelhos que consomem muita energia, em geral, são ligados diretamente aos fios ou a uma tomada especial. Usar tomadas simples para esse fim pode causar superaquecimento. Atenção para o uso de benjamins e ''Ts'': essas tomadas múltiplas ou extensões exigem cuidados para não ultrapassar a corrente máxima do dispositivo.
- Dispositivos de proteção - Há três tipos: fusíveis, disjuntores e DR (corrente diferencial-residual). Os fusíveis interrompem o circuito elétrico quando ocorre um curto. Ao substituí-los, os novos devem ter a mesma amperagem que os anteriores. Os disjuntores protegem também contra curto-circuitos e sobrecargas.
Preste atenção ao adquirir esses produtos: certifique-se de que eles atendem às novas normas de segurança da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). O número da norma vem impresso logo abaixo do selo do Inmetro.
O dispositivo DR ajuda a proteger as instalações elétricas e as pessoas de choques. Ele detecta se há diferença entre a corrente que está entrando e a corrente que está saindo em uma residência. Se isso ocorrer é porque a energia está saindo por algo que não o fio neutro. Se a diferença estiver acima de determinado valor, o DR corta a corrente. Ele pode ser utilizado para toda a residência quando colocado na caixa de entrada, ou em algum circuito específico, como o do chuveiro.
Na hora de contratar
- Pesquise vários profissionais. Peça alguma referência, habilitação profissional e desconfie do ''faz tudo''. Improviso em eletricidade pode custar caro;
- Peça um orçamento detalhado, que discrimine o material;
- Verifique se todo o material traz indicação do fabricante. Rejeite o de procedência desconhecida. O material deve ter também o certificado de segurança do Inmetro;
- O eletricista não precisa quebrar a casa toda para mexer na fiação. Se o problema for na caixa, ele só mexe ali; se a fiação tiver que ser trocada, basta abrir as caixas de passagem e efetuar a operação;
- As instalações elétricas residenciais são regidas por uma norma técnica da ABNT (a NBR 5.410) e o profissional contratado deve, de preferência, conhecê-la.
(*) O IDEC é uma associação independente e sem fins lucrativos, que há 18 anos defende os direitos dos consumidores. Informações: (11) 3874-2152 / www.idec.org.br.





