IDEC - Embalagens que enganam
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 05 de março de 2004
Marilena Lazzarini, Especial para AE 
São Paulo- Se você não costuma ler os rótulos dos produtos, mais um motivo para começar a adotar esse hábito. Uma pesquisa do Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) revelou que, mesmo com embalagens aparentemente iguais, os achocolatados em pó podem ter diferenças significativas de volume. E o pior: entre as oito marcas avaliadas, apenas duas, Nescau e Nesquik, seguem as determinações da legislação em vigor. De acordo com a Portaria 162 do Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro), de 1995, ''o espaço ocupado pelos produtos pré-medidos contidos em embalagem rígida opaca não pode ser inferior a 90% da capacidade total do recipiente''.
A maioria dos achocolatados, contudo, é acondicionada em espaço menor do que os 90% previstos pela Portaria do Inmetro, num flagrante desrespeito à lei. No geral, os técnicos do Idec analisaram recipientes de plástico e de aço. Segundo o resultado da avaliação, as embalagens de plástico não são compatíveis com o volume dos produtos. São grandes demais para armazenar pouco pó. Isso porque há uma diferença significativa entre o Volume Aparente (VA) e o Volume Real (VR) das embalagens dos produtos. Como resultado, os recipientes aparentam ter uma quantidade maior de pó do que realmente possuem. Essa falsa impressão é causada também pela concavidade presente no fundo de alguns recipientes, cuja função é dar maior resistência à embalagem.
Na comparação entre dois produtos dispostos lado a lado nos supermercados - por exemplo, um com 400 gramas e outro com 500 gramas, porém, com aparência de ter a mesma quantia devido à semelhança do tamanho da embalagem -, o consumidor pode optar pelo primeiro, sobretudo porque tende a ser mais barato, sem perceber que está levando 100 gramas a menos de achocolatado. Esse alerta partiu do associado do Idec, Nagib Pachá Júnior, que chamou a atenção não só para o tamanho do achocolatado em questão mas também para sua concavidade. Dois fatores que, segundo ele, poderiam levar o consumidor a se enganar na hora da compra. O Idec constatou que o associado estava certo.
Leo rende mais por preço menor
Na relação preço e peso, o Nesquik, da Nestlé, tem o custo mais alto, enquanto o Leo, da Maxul, o mais baixo. Por fim, os técnicos do Idec verificaram se os fabricantes respeitam a Resolução RDC nº 39, de 21 de março de 2001, publicada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A resolução determina os valores de referência das porções obrigatórias que devem ser seguidas para a rotulagem. Três marcas, no entanto, não seguiram os padrões estabelecidos pela norma. São elas: CompreBem, Garotada e Moc. Todas apresentaram informações imprecisas em seus rótulos.
Como foi feito o teste
A avaliação do Idec baseou-se em dois cálculos comparativos, a partir da medição do Volume Real (VR) em relação ao Volume Aparente (VA) das embalagens dos achocolatados e o Volume do Produto (VP) comparado ao Volume Ocioso (VO). Os técnicos também mediram a concavidade existente na base das embalagens plásticas, chamada de Volume da Concavidade ou VC.
Os volumes ''Real'', ''do Produto'' e ''da Concavidade'' foram medidos com uso de uma proveta. O Volume Ocioso é a diferença entre o VR e o VP. Já o Volume Aparente foi verificado a partir da altura e do diâmetro da embalagem, com aplicação da fórmula para cálculo de volume de cilindros (V = p . r2 . h). Para isso, desconsiderou-se a concavidade existente nas embalagens de plástico rígido (polipropileno).
Quais cuidados tomar
Diante das constatações resultantes da análise do Idec, não se deixe levar pelo tamanho das embalagens. Leia com atenção o rótulo dos produtos em geral, não só dos achocolatados em pó, mas principalmente dos alimentos cujo conteúdo não esteja visível ou aqueles que contenham grande quantidade de água ou outro fluido não aproveitável. Observe, sobretudo, qual o peso líquido ou o peso drenado informado.
O instituto já informou o Inmetro sobre os seis produtos irregulares, que não preenchiam 90% de seus recipientes com achocolatado em pó, conforme manda a legislação. As empresas que desobedeceram à portaria do Inmetro também foram notificadas.
ENTENDA AS DENOMINAçõES
Volume Aparente (VA): volume que a embalagem aparenta ter, o que nem sempre corresponde à realidade.
Volume Real (VR): volume real da embalagem.
Volume do Produto (VP): volume ocupado pelo pó.
Volume Ocioso (VO): espaço vazio do recipiente.
Volume da Concavidade (VC): medida da concavidade existente na base das embalagens plásticas.
(*) O IDEC é uma associação independente e sem fins lucrativos, que há 16 anos defende os direitos dos consumidores.
Informações: (0xx11) 3874-2152 / www.idec.org.br.


