IDEC - Em tempos de dinheiro curto, pechinche sempre
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 17 de setembro de 2004
Marilena Lazzarini<br>Especial para AE 
São Paulo - Em tempos difíceis, como os atuais, é necessário cortar gastos supérfluos, tentar substituir produtos importados por equivalentes nacionais, boicotar produtos com aumentos abusivos, pesquisar preços em locais diferentes e, principalmente, antes de fechar qualquer compra, buscar o maior desconto possível, ou seja, pechinchar.
Para orientar o consumidor nessa árdua tarefa, o Idec preparou o Manual do Pechinchador. Confira as dicas:
- Antes de ir às compras:
- Pesquise preços. Verifique encartes e anúncios de jornais e sites de grandes redes;
- Tenha metas: qual o máximo que você quer pagar? Use a pesquisa de preços;
- Conheça bem o produto que deseja comprar para poder argumentar com o vendedor e rejeitar acessórios ou extras desnecessários;
- Conversando com o vendedor:
- Não seja prepotente mostrando que você conhece tudo sobre o produto ou serviço ofertado. Ser humilde, perguntar detalhes do produto e questionar a necessidade dos acessórios e a sua utilidade prática criam um clima de cooperação;
- Pagamento em dinheiro e à vista é um argumento forte;
- Se achar o preço alto, diga sem hesitação. O vendedor pode lhe dar um desconto imediatamente;
- Não mostre entusiasmo sobre a possibilidade de comprar, mantenha o silêncio e procure ouvir mais do que falar. É necessário, nessas horas, exercitar seus dotes de ator;
- Disponha de tempo para negociar: nada feito às pressas traz bons resultados;
- Não diga que é impossível fazer um negócio nas condições propostas. Isso cria um clima de guerra e dificulta a negociação. Vá concordando aos poucos;
- Não se impressione com catálogos, estrutura da loja ou cargo do vendedor;
- Duvide de argumentos apresentados sem explicação razoável;
- O preço nem sempre reflete a qualidade do produto. Vários testes do Idec e de outras instituições mostraram que não há nenhuma relação direta entre preço e qualidade;
- O consumidor pode ouvir vários argumentos de vendedores que não queiram dar desconto como: preço de mercado; preço tabelado pelo fabricante ou pela diretoria da loja. Na realidade, quem faz o preço de mercado são: os custos e os lucros do fabricante e do vendedor e a disposição do consumidor para pagar.
- Ofereça alternativas para baratear como:
- E se eu retirar a mercadoria?
- E se dispensar esse acessório?
- E se eu pagar agora?
- Teste! A maioria dos orçamentos é flexível.
- Pergunte sobre esquemas alternativos de pagamento e entrega;
- Uma estratégia muito eficaz é fazer um ''leilão''. Diga ao vendedor que está pesquisando os preços e a compra vai ser feita dentro de alguns dias pela melhor oferta. Vá a algumas lojas com esse argumento. O Idec usou esse argumento ao fazer uma pesquisa para a compra de um refrigerador em sete lojas (confira no site www.idec.org.br). Conseguiu desconto em seis;
- Lembre-se: ouvir não é sinônimo de concordar. O consumidor não deve comprar algo para agradar o vendedor, que dispôs de seu tempo. Ele existe para ajudar. Afinal, é o dinheiro do consumidor e o seu direito de escolha que estão em jogo.
- Comprando:
- Seja ousado no fechamento do negócio e tome atitudes diretas. Saque o talão de cheques e, na hora de preencher, peça um último desconto ou brinde. O vendedor provavelmente não vai querer perder um negócio quase fechado por isso.
(*) O IDEC é uma associação independente e sem fins lucrativos, que há 16 anos defende os direitos dos consumidores. Informações: (0xx11) 3874-2152 / www.idec.org.br.


