IDEC - Dicas para quem possui carro flex
São Paulo O barril de petróleo oscila entre US$ 55 e US$ 60. O Brasil é o maior produtor de etanol do mundo e possui excelente tecnologia de motores a álcool. São grandes as possibilidades de produção de óleo combustível a partir de biomassas (biodiesel) e a auto-suficiência em petróleo está próxima.
Com a situação nacional promissora e um quadro internacional adverso, o paradoxo: as vendas de veículos bicombustível ou ''flex fuel'' disparam no mercado nacional. Segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), a produção mensal de veículos flex chega a 55% do total. Com uma frota nacional de carros leves calculada em torno de 18 milhões, o total de veículos flex deve ter chegado à marca das 700 mil unidades.
O crescimento dos flex ocorre em detrimento dos veículos movidos a gasolina os movidos a álcool continuam a ter vendas irrisórias (2,4%). No futuro, dizem montadoras e especialistas do setor, não existirão mais veículos ''monocombustível''.
Surgem, no entanto, várias questões com essa inovação. Até quando será necessário produzir e comprar carros movidos a gasolina? É economicamente compensadora a tecnologia? Há garantia de álcool em quantidade suficiente e a preços razoáveis para justificar a compra de um carro flex? Se o álcool é mais barato, menos poluente e sua produção é inteiramente nacional, por que não produzir e comprar simplesmente carros a álcool? Se o preço do álcool permanecer na relação atual com o da gasolina em São Paulo chega a custar metade , a tendência se mantém e o aumento desses carros na frota elevará a demanda por álcool hidratado.
Diante desse cenário, o Idec preparou dicas para os consumidores que possuem carros flex. As orientações foram baseadas em declarações de especialistas e mecânicos.
Um problema apontado nesse tipo de veículo é o de queima da bomba de combustível. Como a maioria desses carros é abastecida sempre com álcool puro, dado o seu preço mais favorável, a tendência é que se forme um resíduo nos dutos por onde passa o combustível. Quando a gasolina é usada, atua como solvente e limpa o resíduo, mas isso pode entupir o filtro de combustível, os bicos e forçar a bomba, que queima. O que fazer nesse caso?
Confira as dicas
- abastecer uma vez com gasolina a cada dez abastecimentos com álcool;
- não demorar para trocar o filtro de combustível;
- não deixar o tanque ficar quase vazio para abastecer
novamente;
- evitar deixar o carro flex parado por muito tempo (mais de quatro dias), quando se usa álcool e gasolina juntos. A mistura se separa devido à densidade diferente dos elementos e a água (do álcool hidratado), que está na parte inferior do tanque, é a primeira a ir para o motor quando ele é ligado. O módulo que controla o funcionamento flex não reconhece a água, e o motor falha.
- o álcool rende, em média, 70% do que rende a gasolina. Na hora de abastecer, faça um cálculo simples para decidir qual combustível é mais vantajoso. Multiplique o preço da gasolina por 0,7. Se o resultado for inferior ao preço do álcool no posto opte pela gasolina; se for superior, o álcool é a opção mais barata.
(*) O IDEC é uma associação independente e sem fins lucrativos,
que há 18 anos defende os direitos dos consumidores. Informações: (11) 3874-2152 /www.idec.org.br.





