São Paulo Os desinfetantes podem não ser a melhor opção para a eliminação de bactérias, presentes em vários ambientes domésticos como banheiros, lavanderias e cozinhas. Esta é a conclusão de um teste realizado pelo Idec que analisou sete marcas de desinfetantes e sete águas sanitárias. Entre os primeiros, apenas dois não falharam na ação antibacteriana. São eles: Coop Plus (Lote 11, Fabricação 07/05/03) e Extra (L 33, F 09/04/03). Por outro lado, renomadas marcas Pinho Bril Lavanda (L 12907, F 09/05/03), Pinho Sol Original (L BR1033, F 01/04/03) e Lysol (L 1334, F 23/05/03) foram desclassificados porque não eliminaram os microrganismos.
Se um desinfetante falha em sua ação antibacteriana, a consequência pode incorrer sobre a saúde do consumidor. Por exemplo, microrganismos, como a Salmonella choleraesuis, podem causar infecções por meio da ingestão de alimentos contaminados. Em contraposição aos desinfetantes, as águas sanitárias mostraram ser bem mais eficazes na eliminação de bactérias. Das sete marcas testadas, cinco receberam os conceitos ''bom'' ou ''muito bom'' (Great Value, L 13:14/F 26/04/03; Brilhante, L 310712LB; Super Cândida, L 5/F 08/05/03; Clorox, L 1503/F 15/03/03; e Carrefour, L 127/F 07/05/03).
Ainda segundo o teste, duas águas sanitárias e dois desinfetantes (da marca Natural Limp e vendidos a granel) também foram reprovados por não terem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O consumo de tais mercadorias é muito perigoso, uma vez que elas não seguem os padrões de boas práticas de fabricação, exigidos pela legislação, e nem passam pela fiscalização da Anvisa.
Já o mercado informal, composto por produtos sem marca como os vendidos em caminhões porta-a-porta, preocupa mais ainda e está longe de representar uma alternativa mais econômica. Segundo a avaliação, além de também serem ineficazes na eliminação de bactérias, os desinfetantes comercializados a granel acabam custando mais se considerada a relação custo-benefício. Ou seja, seu preço é menor, mas também rendem menos: no final das contas, portanto, saem mais caro.
Tais produtos também não contam com rótulos e nem embalagens adequados, o que pode agravar ainda mais o número já elevado de intoxicações envolvendo saneantes, o que inclui os desinfetantes e as águas sanitárias.
Além da ação antibacteriana, o teste também avaliou outros aspectos, como a segurança das tampas. A grande maioria dos desinfetantes e águas sanitárias não oferece qualquer tipo de proteção nem ao manuseio nem ao transporte das mercadorias. A ausência de sistemas de lacre, no entanto, pode facilitar vazamentos, acidentes domésticos e fraudes.
Para selecionar os produtos que fariam parte do teste, o Idec percorreu 10 supermercados de grandes e médias redes da Grande São Paulo e relacionou 24 marcas de água sanitária e 46 desinfetantes. Os 14 produtos testados (sete de cada categoria) foram escolhidos de acordo com os critérios: importância da marca e frequência com que foram encontradas nos supermercados. Os técnicos do instituto também incluíram na avaliação duas águas sanitárias e dois desinfetantes vendidos a granel. O teste contou com a participação do laboratório Adolfo Lutz para as análises laboratoriais.
O IDEC é uma associação independente e sem fins lucrativos, que há 16 anos defende os direitos dos consumidores. Informações: (0xx11) 3874-2152 / www.idec.org.br.

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