São Paulo A chegada do fim de ano, com as festas natalinas, de ano-novo e o período de férias escolares, é um momento bastante esperado pelo comércio. De olho no 13º salário, os apelos para o consumo bombardeiam nosso dia-a-dia. Nessa época do ano, é preciso redobrar os cuidados para gastar o dinheiro da melhor forma possível. O ideal é evitar os financiamentos porque depois serão pagos com juros elevados, que irão comprometer o orçamento familiar pelo resto do ano.
Antes de assumir qualquer financiamento ou compra parcelada, é importante lembrar que a economia brasileira convive com uma das maiores taxas de juros do mundo, e tanto o sistema financeiro como o comércio cobram taxas extremamente abusivas, superadas apenas pelos agiotas.
A seguir, estão listadas as principais modalidades de crédito encontradas no mercado. Analise cada uma para poder optar por aquela que irá pesar menos no seu bolso.
Cartão de Crédito: cuidado! Em pesquisa realizada pelo Idec no final de 2002, foi a modalidade de crédito mais cara. Para os pagamentos realizados em atraso, a média dos juros cobrados chegava a 223%, e para o pagamento pelo crédito rotativo (quando parte da dívida é transferida para a próxima fatura), os juros chegam a 206% ao ano. No caso de utilizar seu cartão de crédito, procure sempre pagar o total da dívida na data de vencimento.
Cheque Especial: uma das mais altas taxas praticadas pelo mercado. O grande ''atrativo'' dessa modalidade é que os bancos costumam incorporar esse crédito adicional no extrato bancário dos clientes, e as pessoas terminam contando com esse dinheiro na sua renda mensal. A utilização desse limite de crédito, por ser simples e imediata, termina gerando problemas futuros para as pessoas, que, quando impossibilitadas de pagar, têm que renegociar a dívida com vantagens sempre para os bancos.
Crédito Direto ao Consumidor: oferecido principalmente pelo comércio quando as pessoas querem financiar a compra de algum produto. As taxas de juros são fixadas pelas instituições financeiras que operam com as lojas.
Crédito Pessoal: de todas as formas de crédito acompanhadas pela nossa pesquisa, foi a que apresentou a menor taxa, 93% ao ano. É oferecido pelo banco após avaliar o grau de risco e o histórico do cliente oferecendo, portanto, menos risco de inadimplência para a instituição financeira. Em situações limite, essa pode ser uma alternativa menos ruim, até para quitar outras dívidas.
O consumidor deve lembrar que, para todas essas modalidades, os juros reais (diferença entre os juros cobrados e a inflação) são extremamente elevados.
Para quem está pensando em entrar numa aplicação financeira, é importante levar em conta alguns pontos, antes que o 13º salário e os investimentos deixem de existir. O primeiro passo é descobrir qual é o seu perfil como investidor. Para pessoas que procuram opções tranquilas e sem muitos sobressaltos, aplicações de renda fixa oferecem maior tranquilidade. Em contrapartida, aqueles com maior tolerância para o risco poderão aceitar entrar no mercado de ações sem grandes dificuldades. Lembre-se de que esse mercado muitas vezes demanda maior tempo para obter retornos positivos.
É sempre bom lembrar que praticamente todas as instituições financeiras contam com analistas treinados para orientar pequenos investidores. No caso de procurar o mercado de ações, é mais seguro entrar em um fundo de ações, já que normalmente os administradores desses fundos são pessoas que estudam esse mercado ação por ação, procurando assim diminuir as probabilidades de perda.

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