O chá misto (que contém duas ou mais ervas) em saquinho possui mais chances de conter problemas de qualidade. Prova disso é o resultado do teste feito pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) que comprova a presença de bolor no produto vendido em supermercados de todo o País. Foram analisadas 10 amostras de seis marcas pelo laboratório Centro de Pesquisa e Processamento de Alimentos (Ceppa), da Universidade Federal do Paraná, em Curitiba.
Na análise microbiológica, duas apresentaram presença de bolor acima do permitido pela Organização Mundial de Saúde (OMS): Suave Carinho (Multiervas), com 150 mil UFC/g (Unidades Formadoras de Colônia por grama), e Suave Noite (Multiervas), com 39 mil UFC/g. O permitido pela OMS é de 100 mil em 10 gramas. Ou seja, Suave Carinho ultrapassou em 15 vezes e Suave Noite em 3,9 vezes. O único desclassificado no teste foi Doce Manhã (Oetker). Em seu rótulo declara a presença de Chichorium intybus (chicória), que não foi detectada na análise laboratorial.
A avaliação levou em conta a qualidade sanitária dos chás por meio da pesquisa de coliformes termotolerantes (fecais) e bactérias (Salmonella sp); da avaliação microscópica de sujidades leves (fragmentos de insetos e pêlos de roedores); sujidades pesadas (partículas metálicas, terra, areia) e da avaliação histológica - busca dos tecidos vegetais das espécies mencionadas na lista de ingredientes. O estudo também realizou avaliações de rotulagem dos chás e dos Serviços de Atendimento ao Consumidor (SAC).
A classificação geral dos 10 produtos examinados foi a seguinte: um produto desclassificado (Doce Manhã, da Oetker); um considerado Muito Ruim (Suave Carinho, da Multiervas); dois classificados como Ruins (Suave Noite, também da Multiervas, e Doce Carinho, da Oetker); dois Regulares (Momento de Dormir, da Castellari, e Silvestre, da Kitano); três considerados Bons (Bem Estar e Chá do Carinho, da Leão, e Momento de Acordar, da Castellari). Somente o chá Montanhês (Hikari) obteve classificação Muito Bom.
Apenas três dos fabricantes dos chás testados responderam aos questionamentos do Idec. A Dr. Oetker, fabricante do Doce Manhã, atestou o recebimento dos resultados, ''sem mais comentários''. A Moinhos Unidos do Brasil - Mate, dona da marca Multiervas e fabricante dos chás Suave Noite e Suave Carinho, afirmou não estar em desacordo com a legislação.
Segundo a Food and Drug Administration (FDA), órgão norte-americano que regulamenta alimentos e medicamentos, dependendo da quantidade e da espécie, esses fungos podem produzir toxinas altamente perigosas à saúde, podendo causar tremores, convulsões, baixa conversão de nutrientes em massa corporal, redução do crescimento, queda de imunidade, aborto e até câncer de fígado.
Se por um lado o saquinho pode representar praticidade no hábito de consumir chá, por outro, aumenta a possibilidade de ocorrerem problemas de qualidade, como substituição de ervas mais raras e caras por outras mais comuns e baratas; presença de partículas metálicas - provenientes do desgaste de peças de moagem -, terra ou areia - com a finalidade de aumentar o peso do saquinho - e até mesmo a presença de pêlos de roedores e fragmentos de insetos originados da falta de qualidade sanitária na fabricação.
Como o conteúdo não é visível nos saquinhos, a possibilidade de ocorrerem esses problemas é maior do que nos chás vendidos a granel.
É por esse motivo que o Idec recomenda à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) que estabeleça limites para a presença de bolores e leveduras em chás, usando como referência o padrão estabelecido pela OMS. Para proteção da saúde do consumidor, o instituto também pede ao órgão regulador a intensificação da fiscalização dos produtos testados.
O Idec vai notificar a Anvisa sobre os resultados do teste dos chás. A partir disso, a Anvisa junto com o Centro de Vigilância Sanitária, poderá adotar três medidas: advertir as empresas, multá-las e, se for o caso, além da multa, a apreensão do produto. Para mais informações, acesse o site: www.idec.org.br.
(*) O Idec é uma associação independente e sem fins lucrativos, que há 18 anos defende os direitos dos consumidores. Informações: (11) 3874-2152 www.idec.org.br.

mockup