Foi-se o tempo em que para comprar um aparelho de Disco de Vídeo Digital, o popular DVD, era preciso gastar todas as economias. A pouco menos de 10 anos no mercado brasileiro, o DVD quase extinguiu os videocassetes e seu preço diminuiu de forma considerável. Em 1997, quando a tecnologia foi lançada no Brasil, um aparelho simples custava em média R$ 700. Hoje, é possível tê-lo em casa por menos de R$ 200.
Segundo uma projeção feita pela Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros), o consumo de unidades eletrônicas em 2006 terá um crescimento de 17% nas vendas. Estima-se que 51 milhões de unidades sejam vendidas. Em 2005, foram comercializadas 43,6 milhões. Os campeões de consumo são as TVs e os DVDs.
Apesar do preço baixo de um aparelho, o grande problema parece ser seu tempo de vida. ''Durante anos eu tive um videocassete de duas cabeças e nenhum problema. Quebrou uma única vez, com muito tempo de uso'', conta o jornalista Júlio César Silva. ''Faz pouco mais de três anos que comprei um DVD e ele já foi três vezes para o conserto''.
Não há, no Código de Defesa do Consumidor (CDC), um artigo que se refira à vida útil de um produto. A única referência está no artigo 32, que cita um ''período razoável de tempo'', mas não o define. ''Seria difícil o CDC trazer uma regra estanque, já que os produtos e serviços são de natureza diversa'', explica Maíra Feltrin, advogada do Idec. ''Um carro pode ter uma vida útil de 15 anos, por exemplo, e uma batedeira cerca de 4 anos. O Código traz um indicativo de que os produtos não podem ser descartáveis''.
Pesquisa - Para evitar dor-de-cabeça, o Idec recomenda ao consumidor pesquisar antes de comprar um DVD. Pergunte ao vendedor da loja ou em uma assistência técnica mais próxima qual é a marca que costuma apresentar mais problemas. Os fabricantes podem ser nacionais ou multinacionais. As peças nacionais são mais fáceis de serem encontradas, caso o aparelho apresente defeito. As peças importadas também são mais caras.
Além do tempo de durabilidade, quem estiver interessado em adquirir o produto, deve atentar a outros detalhes. Se a televisão é de um modelo antigo, o consumidor corre o risco de não conseguir conectar o aparelho novo de DVD, já que as TVs mais velhas não possuem entradas composite (conectores de áudio e vídeo RCA). Atualmente, todas são fabricadas com essas entradas.
Os estúdios de cinema exigiram que fosse criado um código regional para os aparelhos de DVD, para desencorajar a compra de filmes entre regiões diferentes do mundo. Assim, eles decidiriam quais filmes seriam fornecidos em cada país ou região e isso não prejudicaria os distribuidores locais.
O planeta foi dividido em seis regiões diferentes. Estados Unidos e Canadá estão na região 1. Europa, África do Sul, Oriente Médio e Japão, na 2. Sudeste e leste da Ásia, inclusive Hong Kong, na região 3. Brasil e todos os outros países da América Latina, mais Austrália, Nova Zelândia e ilhas do Pacífico estão na 4. Rússia, Índia, África, Coréia do Norte e Mongólia na 5. A China, sozinha, na 6. Alguns aparelhos são programados para aceitar todas as regiões, e existem filmes sem codificação de região.
A cada novo modelo lançado no mercado, os aparelhos trazem mais funções e mais siglas não tão fáceis de ser entendidas. Isso encarece o produto, e o consumidor nem sempre o compra de acordo com sua necessidade. Às vezes, paga por uma função desconhecida que nem será usada.

(*) O Idec é uma associação independente e sem fins lucrativos, que há 18 anos defende os direitos dos consumidores. Informações: (11) 3874-2152 www.idec.org.br.

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