ID Fashion é vitrine para marcas paranaenses
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quinta-feira, 29 de outubro de 2015
Andréa Bertoldi<br> Reportagem Local 
Uma vitrine para as marcas paranaenses além da oportunidade de conhecer a opinião do consumidor final e de especialistas. Esse é o principal objetivo do ID Fashion, um evento de moda promovido pela Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), que começou ontem e encerra hoje, no Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba, e conta com 17 marcas participantes.
A coordenadora do Conselho Setorial do Vestuário da Fiep, Luciana Bechara, disse que o evento é uma vitrine para mostrar a identidade do Paraná e promover as marcas. Hoje, os expositores vão receber a visita de nove compradores de países da América do Sul como Chile, Colômbia, Uruguai e México.
Segundo ela, o setor no Estado tem apostado em criatividade, inovação, qualidade e preço justo. Luciana disse que a alta do dólar foi uma das coisas que beneficiou o setor neste momento de crise. Isso porque, com a moeda mais cara, as importações diminuem e vem menos produto acabado para o Brasil. "As compras de vestuário dos brasileiros fora do país também diminuíram, o que favoreceu o mercado interno", destacou.
Ela, que também é proprietária da marca de roupas infantis Be Little, disse que o tíquete médio dos clientes em janeiro estava em R$ 75 e agora subiu para R$ 110. "Temos clientes fazendo o enxoval inteiro do bebê ao invés de comprar tudo nos Estados Unidos", exemplificou.
No entanto, o setor teve o aumento de custos de 10% a 12% de algumas matérias-primas importadas, como pigmentos, fio de poliéster e de viscose e do algodão que tem cotação em dólar. Além disso, também pesou muito o reajuste da energia elétrica. Mesmo assim, o setor conseguiu encerrar o primeiro semestre com aumento de 1,46% nas vendas.
A designer de moda Paty Oliveira, de Apucarana, criou a marca Stooge de moda alternativa há sete anos a partir do trabalho de conclusão de curso de Moda da Universidade Estadual de Londrina (UEL). As estampas usadas nas peças são feitas por um tatuador a cada coleção. A marca tem apenas loja online e vende para o Brasil todo. Ela considerou a possibilidade dos visitantes avaliarem os produtos durante o evento (quem passa pelos estandes pode participar de uma pesquisa para avaliar as marcas com um tablet instalado em cada expositor) muito positiva. "Meus produtos foram mudando ao longo dos anos com o retorno dos clientes e as necessidades do público. O ID é uma forma de dar reconhecimento ao nosso Estado", disse. Ela produz quatro coleções por ano com 35 peças cada uma.
Outro expositor presente no evento é o Vale da Seda, que abrange 29 municípios do Noroeste do Estado, o maior polo de sericicultura do Ocidente. O presidente do Instituto Vale da Seda, João Berdu Garcia Junior, disse que 600 produtores na região trabalham com o casulo da seda e o Paraná produz 86% da seda do Brasil. Os 29 municípios são responsáveis pelos casulos que são enviados para a empresa Bratac, de Londrina, que produz o fio de seda. Hoje, 95% da produção de fio de seda do Paraná é exportada para França, Japão, Itália e Vietnã. No Vale da Seda são produzidas 400 toneladas de fio e 2 mil toneladas de casulo por ano. Segundo ele, hoje a produção está estável, mas a tendência é de alta com a valorização dos preços internacionais do produto.
A designer de moda Jhenniffer Breenstup criou a loja virtual que leva o nome dela para a criação de bolsas em couro. Ela estudou moda em Portugal e abriu a empresa há um ano. "Queremos provar que podemos criar aqui no Brasil. O ID está sendo uma vitrine e a possibilidade de fazer prospecção de novos negócios", disse. As bolsas criadas por ela permitem, através de encaixes com zíper, trocar a base do produto, a lateral, a parte da frente e de trás, a alça, o que possibilita montar quatro modelos diferentes em uma bolsa. O produto sai por R$ 897 e tem as ferragens banhadas a ouro.


