ICV do Dieese em outubro fica em zero. IPC fecha o mês em 0,01%
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terça-feira, 07 de novembro de 2000
Agência Estado De São Paulo 
O Índice do Custo de Vida (ICV) em São Paulo, calculado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), registrou variação zero em outubro, pela primeira vez desde 1959, quando o indicador passou a ser apurado pela entidade. Segundo a coordenadora do ICV-Dieese, Cornélia Nogueira Porto, o resultado motivou os economistas do instituto a rever a projeção de inflação no fechamento de 2000 de 8% para entre 6,5% e 7% no ano. Nos últimos 12 meses, entre novembro de 99 e outubro deste ano, o ICV-Dieese acumula taxa positiva de 8,25%.
Em setembro, quando o ICV ficou positivo em 0,41%, o Dieese projetou alta entre 0,5% e 1% em outubro, por conta do aquecimento da economia que normalmente, ocorre no último trimestre do ano. Esperávamos uma pequena alta no índice com a liberação do 13º salário e o aumento de vendas no comércio, que provocam subida de preços, justificou Cornélia. Ela acredita que os consumidores não estão muito empenhados em ir às compras e o comércio, por sua vez, talvez esteja preferindo manter os preços para vender mais. A condição econômica não está muito boa para reajustes de preços. Mas o ICV de outubro indica expectativa de estabilidade, salientou Cornélia.
Os grupos e subgrupos que compõem o ICV tiveram pequenas variações, positivas e negativas, que se compensaram, resultando em um equilíbrio nos preços de mercados. Os bens e serviços que mais tiveram variação, no mês passado, foram os produtos agrícolas, sujeitos à sazonalidade.
O grupo vestuário registrou a maior alta, com taxa de 0,61%, seguido por equipamento doméstico e alimentação, que registraram variações positivas de 0,43% e 0,08%, respectivamente. O grupo despesas pessoais teve variação negativa de 0,49%, em outubro. Também registraram baixa os grupos transporte e educação e leitura, com queda de 0,31% e 0,10, respectivamente.
A Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) reviu para baixo a estimativa de inflação para 2000, após a variação de 0,01% registrada pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPC) em outubro. O índice deve fechar abaixo de 5%, podendo chegar a 4,8%, caso o governo não autorize novo reajuste para os combustíveis. Se isto ocorrer, a inflação pode ficar pouco acima de 5%. Até outubro, o IPC acumula uma variação de 4,16%. A previsão para novembro e dezembro é de 0,20% e 0,30%, respectivamente. Se não ocorrerem novas alterações nos preços administrados pelo governo, a trajetória da inflação será favorável até o final do ano, afirmou o coordenador do IPC, Heron do Carmo.


