ICV de agosto fecha com deflação de 0,89%
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sexta-feira, 04 de setembro de 1998
Agência Estado 
Pela primeira vez, desde 1959, época em que o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sociais (Dieese) começou a calcular o Índice do Custo de Vida (ICV) a inflação teve queda em dois meses consecutivos ficando em -0,89% em agosto. Em julho o índice recuou 0,37%. Em dois meses a deflação para a população do município de São Paulo é de 1,25%.
O resultado reflete uma retração da demanda, que vem sendo observada há meses, principalmente, nos setores onde há mais concorrência, diz a coordenadora do índice, Cornélia Porto Nogueira. É preocupante porque os setores produtivos já estão enxutos. Nos setores mais oligopolizados, como o de saúde (medicamentos), observa , as taxas continuam altas.
Entre janeiro e agosto, o ICV tem alta acumulada de 0,58%, com maiores aumentos em educação e leitura (6,83%) e saúde (4,60%) e maiores quedas no vestuário (-5,81%) e equipamentos domésticos (- 2,01%).
Em agosto, dos dez grupos que fazem parte do orçamento doméstico, seis apresentaram queda, quatro registraram aumento, mas apenas um (educação e leitura) tem peso significativo na composição das despesas familiares.
Entre os que tiveram resultados negativos estão grupos importantes com quedas expressivas como vestuário (-2,51%), transportes (-1,17%) , alimentação (-0,91%) e habitação (-0,88%).
A retração mais significativa foi no vestuário por causa das liquidações de inverno. Nos transportes, a queda foi puxada pelo recuo nos preços dos combustíveis (-2,96%) e de veículos (-2,08%) . Nos gastos com alimentação os industrializados tiveram maior queda, de 1,30%. No grupo habitação, os aluguéis com retração de 3,24% trouxeram a taxa para baixo.
Para setembro, segundo Cornélia Porto Nogueira, o resultado deve ser menos negativo do que o de agosto, porque o efeito da liquidação de inverno deve terminar. No acumulado dos últimos 12 meses a taxa é de 1,14% com diferenças expressivas entre os grupos. Enquanto o setor de vestuário, por exemplo, tem queda de 8,07%, saúde acumula alta de 6,98%, com destaque para o aumento dos medicamentos de 10,27%.


