ICMS é o que mais afeta o fluxo de caixa de empresas
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segunda-feira, 29 de agosto de 2011
Victor Lopes <br> <br> Reportagem Local 
Uma pesquisa realizada pela Confederação Nacional das Indústrias (CNI) em 594 empresas brasileiras apontou que 40% delas têm o fluxo de caixa afetado porque pagam os impostos antes de receberam pelas vendas. De acordo com o levantamento, divulgado ontem, para 41,1% das empresas o prazo médio de recebimento das vendas é superior a 45 dias. Em contrapartida, os pagamentos das contribuições previdenciárias, do Programa de Integração Social (PIS) e a Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social), por exemplo, devem ser quitados em no máximo 40 dias. De todas as indústrias consultadas, 60% afirmaram que o peso total dos tributos recolhidos no faturamento de sua empresa supera 20%.
Os dados mostraram ainda que 33,5% das empresas recebem pelas vendas, em média, entre 31 e 45 dias e 22,4% recebem em até 30 dias. Para 53,1% das empresas, o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), cobrado pelos estados, é o que mais afeta o fluxo de caixa. As indústrias de grande porte são as que mais sentem o impacto desse tributo. Entre elas, 56,7% informaram que sentem efeitos desse recolhimento no fluxo de caixa ante 53,7% das médias e 51,6% das pequenas.
A consulta empresarial foi feita entre os dias 20 e 28 de junho, entre 291 pequenas empresas, 206 médias e 97 grandes.
Para Edson Campagnolo, que integra o Conselho Temático de Assuntos Tributários da Federação da Indústria do Paraná (Fiep), este é um dos principais problemas que afetam o fluxo de caixa ''desde as micros até as grandes'' empresas. ''O problema é ainda mais sério em determinados setores, como o vestuário. Conheço empresas que vendem num prazo médio de 90 dias'', alegou.
Segundo ele, em determinados casos, é preciso buscar o sistema financeiro para antecipar receitas. ''Sem contar que a pesquisa não levou em conta a questão da inadimplência, que gira entre 3% e 5%'', afirmou. De acordo com Campagnolo, as Secretarias de Fazenda e as Receitas Estaduais deveriam tentar entender as ''dificuldades do setor'' e encontrar uma solução para o problema.
7,13% do PIB
O economista da CNI, Mário Sérgio Carraro, explicou que a representatividade do ICMS no fluxo de caixa das empresas se deve ao prazo médio para recolhimento do tributo ser menor, aliado ao seu maior peso em toda a carga tributária. ''O último dado da Receita Federal, de 2009, mostra que a arrecadação do ICMS representou 7,13% do Produto Interno Bruto (PIB). Isso correspondeu a cerca de 21% da carga tributária do País'', comentou. Dos entrevistados pela pesquisa da CNI, 50,7% afirmaram que o tributo estadual precisa ter o prazo de recolhimento ampliado.
O empresário Gilberto Dalla Corte, um dos sócios-proprietários da Getmaq e Getsilos, indústrias de unidades de beneficamento de sementes, comentou que como sua empresa produz sob encomenda, seu fluxo de caixa não é muito afetado. ''Trabalhamos com um sinal de nossos clientes e o recolhimento dos impostos é realizado apenas na entrega das máquinas''.
Entretanto, Corte não tem dúvidas que a carga tributária é elevadíssima e certamente os impostos recolhidos ultrapassam tranquilamente os 20% de todo o faturamento. ''O ICMS tem a maior alíquota e influencia bastante. Até acho que a carga de impostos é alta porque muita gente acaba sonegando, mas o que não pode acontecer é penalizar quem paga corretamente e o sonegador sair ileso. Como repassamos os impostos ao consumidor, fica complicado concorrer com indústrias que não cumprem suas obrigações.''
A FOLHA procurou a Secretaria de Estado da Fazenda mas ninguém foi localizado por telefone.


