Após pressão exercida pelas principais entidades empresariais do Estado, o governo voltou atrás no aumento da alíquota de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para implementos rodoviários, que envolve carrocerias de caminhões, reboques e semirreboques. Junto com a maioria dos produtos comercializados no Paraná, a alíquota do setor havia subido de 12% para 18% no dia 1º de abril. Por força do decreto 999, publicado na quinta-feira no Diário Oficial, ela voltou a 12%.
Diretor da Associação Nacional dos Fabricantes de Implementos Rodoviários (Anfir), Lauro Pastre Júnior, afirma que, se tivesse ficado em 18%, o setor iria perder competitividade. Segundo ele, que também é diretor da fábrica Pastre, localizada em Quatro Barras, na Região Metropolitana de Curitiba, o aumento do imposto traria redução de vendas das indústrias e fechamento de postos de trabalho. "O impacto ia ser muito significativo."
Hoje, segundo o empresário, o Paraná conta com 160 fabricantes de implementos rodoviários e o setor gera 12 mil empregos diretos. Pastre diz que o setor vem sofrendo com a conjuntura da economia brasileira. Só de janeiro a março deste ano, o número de emplacamentos de implementos rodoviários teve uma queda de 30% no Brasil.
A empresa de Pastre produz semirreboques e caçambas basculantes. Criada há 41 anos, emprega 350 funcionários atualmente. Já demitiu 200 desde janeiro de 2014. A indústria produz, em média, 80 semirreboques e 30 caçambas basculantes por mês. No ano passado, a companhia fabricou 2 mil produtos e teve queda de 10% no faturamento em relação ao ano anterior. Para este ano, está projetada nova queda, desta vez de 30%.
Pastre ressalta que 2013 foi um ano no qual as vendas cresceram acima da média. Em 2014, a Copa do Mundo e as eleições contribuíram para a queda. O que deve influenciar negativamente este ano, segundo ele, é o crédito cada vez mais restritivo e a crise econômica. Além disso, o reajuste do diesel também foi negativo porque diminui a rentabilidade das transportadoras, que acabam investindo menos em implementos rodoviários.
O empresário afirma que, caso a alíquota de ICMS ficasse em 18%, a empresa pensaria em migrar para outro Estado. Hoje, Rio Grande do Sul e São Paulo têm alíquota de 12% para implementos rodoviários. Em Santa Catarina, é de 6,2%. O presidente da Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Estado do Paraná (Fetranspar), Sérgio Malucelli, diz que o aumento do imposto poderia provocar também aumento do preço do frete.
Além dos implementos rodoviários, o governo manteve a carga tributária de 12% para os medicamentos, biodiesel, empilhadeiras, fios, cabos e outros condutores e transformadores elétricos.

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