São Paulo - O temor de recessão da maior economia do planeta, juntamente com o medo de que a China não vai conseguir dirimir o impacto no comércio global arrastaram as bolsas mundiais para o fundo do poço. A queda foi generalizada - menos nos EUA, onde as bolsas não funcionaram por causa do feriado de Martin Luther King Jr. Na Europa, as perdas porcentuais se equivaleram às do atentado terrorista de 11 de setembro de 2001 e por pouco isso não aconteceu na Bovespa, que registrou a maior queda desde 27 de fevereiro do ano passado (6,63%, causada pelo temor de desaquecimento chinês).
Ontem, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) recuou 6,60%, para 53.709,1 pontos, depois de oscilar entre a máxima de 57.503 pontos (-0,01%) e a mínima de 53.487 pontos (-6,99%). Com o resultado, a queda acumulada em janeiro e em 2008 foi a 15,93%. O volume financeiro totalizou R$ 6,116 bilhões (preliminar), dos quais R$ 523,009 milhões são do exercício de opções sobre ações de ontem, que foi o mais fraco desde setembro de 2006 (R$ 446,179 milhões). O dólar comercial fechou em alta de 2,52%, cotado a R$ 1,8300.
O terror começou na Ásia, onde os índices acionários afundaram depois da frustração com o pacote de ajuda norte-americano, que teve suas premissas esboçadas na sexta-feira. O que mais assustou foi o tombo da Bolsa de Hong Kong, que ficou abaixo do suporte de 24 mil pontos: o Hang Seng caiu 1.383,01 pontos, ou 5,5%, e fechou em 23.770,13 pontos.
O temor é que a economia da China tenha uma desaceleração, o que prejudicaria uma recuperação no PIB norte-americano. Com este quadro, a queda forte nas bolsas asiáticas se espalhou pelos demais mercados: na Europa, a bolsa de Londres, o índice FT-100 caiu 323,5 pontos (5,48%); em Paris, o índice CAC-40 recuou 347,95 pontos (6,83%); em Frankfurt, o índice Xetra-Dax caiu 523,98 pontos (7,16%).
O feriado nos Estados Unidos e as notícias ruins divulgadas ontem favoreceram o pânico que tomou conta dos investidores. Mas, parte da culpa foi do noticiário, que jogou os holofotes sobre os bancos europeus. O alemão WestLB informou que espera anunciar prejuízo líquido próximo de 1 bilhão de euros (US$ 1,44 bilhão) referente ao ano de 2007.

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