O mercado de ações voltou a apostar fichas na diluição das incertezas do cenário político e, ainda que com boa dose de cautela, conduziu o Índice Bovespa a uma alta significativa nesta quinta-feira (18). O índice já iniciou o dia em terreno positivo e terminou o pregão em 94.578,26 pontos, com alta de 1,39%. Contribuíram para a melhora do humor o anúncio do reajuste de R$ 0,10 no litro do óleo diesel, recentes declarações do ministro da Economia, Paulo Guedes, e especulações que reforçaram a expectativa positiva em relação à reforma da Previdência. A possibilidade de greve dos caminhoneiros foi um dos pontos de cautela do dia.

Dólar encerra a quinta em queda, mas acumula alta na semana

O dólar fechou a semana, mais curta por causa do feriado de Páscoa, acumulando alta de 1,07%. Foi a maior valorização das últimas quatro semanas, em meio às dificuldades de tramitação da reforma da Previdência na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara. Profissionais de câmbio relatam que as mesas também monitoram as discussões sobre uma possível nova greve dos caminhoneiros e os eventos no cenário externo. Nesta quinta a moeda fechou em queda de 0,14%, a R$ 3,9300, em um movimento de realização de ganhos depois de subir 1,6% nos últimos dois dias. No ano, o dólar passou a acumular alta de 1,41% esta semana.

Juros futuros apresentam queda na véspera do feriado prolongado

O estresse com a reforma da Previdência nos últimos dias que adicionou prêmios à curva de juros atraiu doadores ao mercado nesta quinta-feira que teve bom giro de contratos. A taxa do contrato de DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2020 fechou a sessão regular em 6,495%, de 6,541% na quarta no ajuste, e a do DI para janeiro de 2021 recuou de 7,122% para 7,03%. A taxa do DI para janeiro de 2023 fechou em 8,21%, de 8,312% no ajuste anterior, e a do DI para janeiro de 2025 caiu de 8,842% para 8,77%. Apesar da frustração com a postergação da votação da reforma na CCJ, as taxas fecharam a semana em níveis mais baixos em relação a semana passada.

Aspectos mais técnicos influenciam nas taxas

O mercado esteve sujeito a aspectos mais técnicos, além da percepção de que a atividade ruim pode resultar em queda da Selic ainda em 2019. "A posição técnica mais 'light' do mercado no pré ajudou, além do cheiro de que a atividade está mesmo muito fraca", disse Mauricio Patini, gestor de renda fixa da Absolute Investimentos. No exterior, foi dia de queda no rendimento dos títulos como dos Treasuries norte-americanos e dos bunds alemães. As mínimas do DI foram atingidas na última hora da sessão regular, atribuídas à informação de que o presidente Jair Bolsonaro estaria disposto a negociar ministérios com partidos que fecharem questão a favor da reforma da Previdência.

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